quarta-feira, 15 de abril de 2015

O mito do pH: a alimentação é capaz de influenciar o pH sanguíneo? — Parte 3




Para quem não leu ou ainda não teve a oportunidade de ler, sugiro fortemente a leitura dos dois primeiros posts dessa série:

Na terceira e última parte, veremos qual é o efeito da ingestão de alimentos e dietas “acidificantes” sobre diversos marcadores e parâmetros de saúde, especialmente a saúde óssea — que é normalmente a mais citada como prejudicada quando a dieta é mais “acidificante” do que “alcalinizante”.


Estudos observacionais sobre a influência de alimentos “acidificantes” na saúde óssea

Sabemos que estudos observacionais estão muito longe de serem ideais para se determinar relações de causa e efeito. De qualquer maneira, vejamos o que eles têm a dizer sobre a hipótese que estamos discutindo.

Como era de se esperar, considerando o que foi discutido nos estudos do post anterior dessa série, as evidências provenientes a partir de estudos observacionais sugerem que dietas com elevada carga ácida (ricas em proteínas, enxofre ou fosfato) [1], em homens ou mulheres — adultos ou idosos —, não estão associadas à menor densidade mineral óssea, à dureza ou força dos ossos, ao risco de fratura ou ao risco de desenvolvimento de osteoporose [2,3,4,5]. De forma semelhante, a excreção ácida ou o baixo pH na urina — ambos marcadores do consumo de uma dieta “acidificante” — não estão associados ao risco de fratura ou ao desenvolvimento de osteoporose [6].

Além disso, a maior ingestão de proteínas na dieta, principalmente aquelas de origem animal, é consistentemente associada à maior densidade mineral óssea, ao menor risco de fraturas e também ao menor risco de desenvolvimento de osteoporose [7,8,9,10,11,12,13,14,15,16,17,18,19]. Ou seja, mais uma vez temos boas evidências de que alimentos “acidificantes”, como aqueles ricos em proteínas [1], fazem justamente o contrário do que dizem por aí: eles podem melhorar, ao invés de piorar, a saúde óssea.

Quando, em estudos observacionais, não são encontradas evidências negativas da influência de dietas “acidificantes” sobre esses parâmetros de saúde, a verdade é que nem seria realmente necessário discutirmos o que os ensaios clínicos — aqueles estudos que têm maior capacidade de estabelecer relações de causa e efeito — apresentam como resultados para a relação entre dietas “acidificantes” e a saúde óssea. Mas, para fortalecermos nosso argumento, vejamos a seguir o que esses estudos têm a nos mostrar.


Ensaios clínicos que testaram o efeito de alimentos “acidificantes” na saúde óssea

O conjunto de evidências dos ensaios clínicos que avaliaram o efeito de dietas “acidificantes” e dietas ricas em proteínas sobre o metabolismo ósseo sugere que estas possuem um efeito neutro, ou levemente benéfico, no que diz respeito à manutenção da densidade mineral óssea, no risco de fraturas e em outros parâmetros que indicam boa saúde óssea [20,21,22,23,24,25,26,27].

Em alguns desses estudos, de fato há um aumento na excreção urinária de cálcio, e isso, a princípio, pode parecer ruim. Entretanto, é importante mencionar que uma maior excreção de cálcio não necessariamente significa que o corpo está “perdendo” cálcio, e muito menos que esse cálcio é proveniente dos ossos [21]. A regulação e manutenção do cálcio nos ossos vão muito além da absorção ou excreção desse micronutriente, sendo regulada por diversos outros fatores hormonais e metabólicos — como a vitamina D, os estrógenos e a vitamina K2. Na verdade, a maior excreção de cálcio, principalmente nesse contexto de não alteração de marcadores da saúde óssea, pode até ser benéfica, devido à possível redução na quantidade de cálcio livre circulante. (Mais sobre esse tema quando discutirmos a importância e o metabolismo da vitamina K2).

Além disso, um estudo de meta-análise de 2009 verificou que, em todos os ensaios clínicos analisados, a suplementação ou o maior consumo alimentar de fosfato (que teoricamente é um mineral “acidificante”) foram benéficos no sentido de diminuir a excreção de cálcio na urina — independentemente do fato da ingestão dietética de cálcio ser baixa ou alta nos indivíduos estudados [28].

Os resultados de outro ensaio clínico sugerem que a ingestão de proteína animal pode ser superior ao da proteína de soja, tendo em vista que a primeira parece aumentar a biodisponibilidade de cálcio proveniente da alimentação [29]. Adicionalmente, o maior consumo proteico durante a perda de peso pode auxiliar na manutenção da saúde óssea e reduzir a perda de massa mineral nos ossos [30,31]. Por fim, vale ressaltar que o consumo de leite ou de proteínas lácteas — que são considerados, por algumas pessoas, como “acidificantes” ou prejudiciais à saúde óssea — também possuem um efeito neutro ou potencialmente benéfico no metabolismo ósseo [26,32].


Massa muscular, câncer e outros aspectos

Alguns pesquisadores sugerem que dietas com maior carga ácida seriam responsáveis por “forçar” o organismo a metabolizar alguns tipos de aminoácidos, fazendo com que as proteínas musculares sejam degradadas para isso — potencialmente resultando na perda de massa muscular [33,34].

Entretanto, é sabido que um maior consumo de proteínas, não necessariamente acima do que normalmente é recomendado (cerca de 1,0 g/kg/dia), é capaz de maximizar o balanço nitrogenado em humanos [35,36]. De maneira semelhante, um consumo adequado de proteínas, assim como sua suplementação — principalmente na população idosa —, é capaz de atenuar a perda de massa muscular [37,38]. Ou seja, independentemente do que ocorra com o pH urinário, não há qualquer alteração do pH sanguíneo ou perda de massa muscular numa dieta com elevada carga ácida.

Em relação ao câncer, sabe-se há muito tempo que células cancerígenas e tumores normalmente se desenvolvem bem em ambientes ácidos, principalmente porque a redução do pH celular, ou extracelular, é deletéria para células normais, mas não para as células do câncer [39].

Por esse motivo, é possível presumir que dietas “acidificantes”, assim como outras condições clínicas ou patológicas que potencialmente modificam o pH sanguíneo, poderiam favorecer o desenvolvimento de pelo menos alguns tipos de câncer. Entretanto, não há qualquer evidência de que cargas ácidas provenientes da dieta seriam capazes de facilitar o crescimento de tumores [40], sem contar que são as próprias células cancerígenas que geram o ambiente ácido característico do câncer, devido ao aumento na via metabólica da glicólise anaeróbia e consequente produção de ácido lático [41]. Além disso, como discutido no último post, o pH sanguíneo não é modificado pela alimentação; por conseguinte, o pH de outros fluidos extracelulares — e muito menos do meio intracelular — também não será modificado pela alimentação.

E essa lógica final vale para praticamente todos os demais aspectos relacionados à saúde que teoricamente poderiam ser afetados por reduções do pH induzidos pela dieta.


Considerações finais

Em primeiro lugar, vale retomar o ponto chave dessa discussão: a modificação do pH urinário, principalmente no sentido de torná-lo mais alcalino (ou seja, aumento do pH), pode ser benéfica em alguns casos clínicos e patológicos. Isso não necessariamente implica em dizer que o pH urinário mais ácido será deletério, mas que, sim, um pH urinário mais básico pode auxiliar em algumas situações específicas. (Não citarei exemplos específicos para não sairmos do foco do texto e não torná-lo ainda mais longo).

Mas e as “dietas alcalinas”, que prometem diversos benefícios pelo fato de tornar nosso sangue e organismo menos ácidos? Funcionam?! Elas provavelmente serão efetivas e interessantes em alguns aspectos, principalmente por estimular o maior consumo de frutas e hortaliças. Porém, outros grupos alimentares que teoricamente são “acidificantes” — como as fontes de proteína animal — são fundamentais para garantir uma nutrição e saúde adequadas para boa parte da população, uma vez que fornecem diversos nutrientes essenciais. Portanto, é sempre importante avaliar as dietas, assim como os seus reais efeitos na saúde, a partir de uma perspectiva ampla e abrangente, para que seja possível visualizar de forma mais clara os benefícios — e potenciais “falhas” — que cada uma delas pode apresentar.

De qualquer maneira, após a exposição e discussão de todas essas evidências — incluindo os efeitos diretos da ingestão de alimentos “acidificantes” sobre o pH sanguíneo e sobre marcadores do metabolismo ósseo, assim como demais parâmetros de saúde —, acredito que está mais do que claro que a alimentação não é capaz de reduzir o pH do sangue. A partir dos estudos observacionais e dos ensaios clínicos apresentados nesse texto, fica evidente que dietas ricas em proteínas e “acidificantes” não levam à perda de cálcio ósseo para que o pH sanguíneo possa ser mantido dentro do intervalo ideal de 7,35 a 7,45 — se há algum efeito, esse efeito seria exatamente o oposto do apregoado: uma alimentação rica em proteínas, ou “acidificante”, beneficiaria a saúde e retenção de cálcio nos ossos.

Na nutrição, quando temos evidências sobre determinados assuntos, não podemos simplesmente “achar”. A ciência está aí para nos ajudar.


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Posts da série:




Referências

1. Remer T, Manz F. Potential renal acid load of foods and its influence on urine pH. J Am Diet Assoc. 1995;95(7):791-7.

2. Pedone C, et al. Quality of diet and potential renal acid load as risk factors for reduced bone density in elderly women. Bone. 2010;46(4):1063-7.

3. McLean RR, et al. Dietary acid load is not associated with lower bone mineral density except in older men. J Nutr. 2011;141(4):588-94.

4. Fenton TR, et al. Causal assessment of dietary acid load and bone disease: a systematic review & meta-analysis applying Hill's epidemiologic criteria for causality. Nutr J. 2011;10:41.

5. Jia T, et al. Dietary acid load, kidney function, osteoporosis, and risk of fractures in elderly men and women. Osteoporos Int. 2014 [Epub ahead of print].

6. Fenton TR, et al. Low urine pH and acid excretion do not predict bone fractures or the loss of bone mineral density: a prospective cohort study. BMC Musculoskelet Disord. 2010;11:88.

7. Munger RG, et al. Prospective study of dietary protein intake and risk of hip fracture in postmenopausal women. Am J Clin Nutr. 1999;69(1):147-52.

8. Tucker KL, et al. The acid-base hypothesis: diet and bone in the Framingham Osteoporosis Study. Eur J Nutr. 2001;40(5):231-7.

9. Promislow JH, et al. Protein consumption and bone mineral density in the elderly : the Rancho Bernardo Study. Am J Epidemiol. 2002;155(7):636-44.

10. Darling AL, et al. Dietary protein and bone health: a systematic review and meta-analysis. Am J Clin Nutr. 2009;90(6):1674-92.

11. Beasley JM, et al. Is protein intake associated with bone mineral density in young women? Am J Clin Nutr. 2010;91(5):1311-6.

12. Kumar A, et al. Impact of dietary intake, education, and physical activity on bone mineral density among North Indian women. J Bone Miner Metab. 2010;28(2):192-201.

13. Bonjour JP. Protein intake and bone health. Int J Vitam Nutr Res. 2011;81(2-3):134-42.

14. Beasley JM, et al. Biomarker-calibrated protein intake and bone health in the Women's Health Initiative clinical trials and observational study. Am J Clin Nutr. 2014;99(4):934-40.

15. Genaro PD, et al. Dietary protein intake in elderly women: association with muscle and bone mass. Nutr Clin Pract. 2014 [Epub ahead of print].

16. Hu T, et al. Protein intake and lumbar bone density: the Multi-Ethnic Study of Atherosclerosis (MESA). Br J Nutr. 2014;112(8):1384-92.

17. Radavelli-Bagatini S, et al. Dairy food intake, peripheral bone structure, and muscle mass in elderly ambulatory women. J Bone Miner Res. 2014;29(7):1691-700.

18. Sahni S, et al. Association of total protein intake with bone mineral density and bone loss in men and women from the Framingham Offspring Study. Public Health Nutr. 2014;17(11):2570-6.

19. The Relationship between Dietary Protein Consumption and Risk of Fracture: a subgroup and dose-response meta-analysis of prospective cohort studies. Sci Rep. 2015;5:9151.

20. Darling AL, et al. Dietary protein and bone health: a systematic review and meta-analysis. Am J Clin Nutr. 2009;90(6):1674-92.

21. Fenton TR, et al. Meta-analysis of the effect of the acid-ash hypothesis of osteoporosis on calcium balance. J Bone Miner Res. 2009;24(11):1835-40.

22. Cao JJ, Nielsen FH. Acid diet (high-meat protein) effects on calcium metabolism and bone health. Curr Opin Clin Nutr Metab Care. 2010;13(6):698-702.

23. Cao JJ, et al. A diet high in meat protein and potential renal acid load increases fractional calcium absorption and urinary calcium excretion without affecting markers of bone resorption or formation in postmenopausal women. J Nutr. 2011;141(3):391-7.

24. Kerstetter JE, et al. Dietary protein and skeletal health: a review of recent human research. Curr Opin Lipidol. 2011;22(1):16-20.

245 Sukumar D, et al. Areal and volumetric bone mineral density and geometry at two levels of protein intake during caloric restriction: a randomized, controlled trial. J Bone Miner Res. 2011;26(6):1339-48.

26. Zhu K, et al. The effects of a two-year randomized, controlled trial of whey protein supplementation on bone structure, IGF-1, and urinary calcium excretion in older postmenopausal women. J Bone Miner Res. 2011;26(9):2298-306.

27. Cao JJ, et al. Calcium homeostasis and bone metabolic responses to high-protein diets during energy deficit in healthy young adults: a randomized controlled trial. Am J Clin Nutr. 2014;99(2):400-7.

28. Fenton TR, et al. Phosphate decreases urine calcium and increases calcium balance: a meta-analysis of the osteoporosis acid-ash diet hypothesis. Nutr J. 2009;8:41.

29. Kerstetter JE, et al. Meat and soy protein affect calcium homeostasis in healthy women. J Nutr. 2006;136(7):1890-5.

30. Jesudasson D, et al. Comparison of 2 weight-loss diets of different protein content on bone health: a randomized trial. Am J Clin Nutr. 2013;98(5):1343-52.

31. Tang M, et al. Diet-induced weight loss: the effect of dietary protein on bone. J Acad Nutr Diet. 2014;114(1):72-85.

32. Fenton TR, Lyon AW. Milk and acid-base balance: proposed hypothesis versus scientific evidence. J Am Coll Nutr. 2011;30(5 Suppl 1):471S-5S.

33. Pizzorno J, et al. Diet-induced acidosis: is it real and clinically relevant? Br J Nutr. 2010;103(8):1185-94.

34. Adeva MM, Souto G. Diet-induced metabolic acidosis. Clin Nutr. 2011;30(4):416-21.

35. Li M, et al. Protein requirements in healthy adults: a meta-analysis of nitrogen balance studies. Biomed Environ Sci. 2014;27(8):606-13.

36. Pedersen AN, Cederholm T. Health effects of protein intake in healthy elderly populations: a systematic literature review. Food Nutr Res. 2014;58.

37. Kim JS, et al. Dietary implications on mechanisms of sarcopenia: roles of protein, amino acids and antioxidants. J Nutr Biochem. 2010;21(1):1-13.

38. Wall BT, van Loon LJ. Nutritional strategies to attenuate muscle disuse atrophy. Nutr Rev. 2013;71(4):195-208.

39. Wu W, Zhao S. Metabolic changes in cancer: beyond the Warburg effect. Acta Biochim Biophys Sin (Shanghai). 2013;45(1):18-26.

40. Robey IF. Examining the relationship between diet-induced acidosis and cancer. Nutr Metab (Lond). 2012;9(1):72.

41. Ponisovskiy MR. Warburg effect mechanism as the target for theoretical substantiation of a new potential cancer treatment. Crit Rev Eukaryot Gene Expr. 2011;21(1):13-28.



55 comentários:

  1. Muito bons seus esclarecimentos.
    Pela minha breve pesquisa na Internet (doze páginas consultadas), a "dieta alcalina" parecia quase unanimidade entre especialistas e as poucas críticas que eu encontrava eram muito moderadas e de pouca consistência. Além disso, eu comparava as listas de alimentos ácidos e alcalinos apontados pelos mesmos e encontrava divergências!
    Entretanto, em meio aos seus esclarecimentos, fiquei com uma dúvida.
    Vou tentar explicar da seguinte forma:
    "Acidose ou Alcalose" + "sistemas tampão" = "PH dentro da faixa". Portanto, se o PH está dentro da normalidade, os riscos ósseos (entre outros apontados) por conta apenas de dieta acidificante estão descartados. Ou seja, os riscos são evitados APÓS a atuação dos sistemas tampão.
    A minha dúvida é: e DURANTE a atuação? O sistema tampão em si utiliza ou pode utilizar cálcio dos ossos?

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  2. Olá, Allan. Obrigado pela leitura!

    Teoricamente, o sistema tampão até pode utilizar (e muito possivelmente utiliza) o cálcio dos ossos para ajudar a estabelecer o equilíbrio do pH sanguíneo. Mas mesmo que utilize, o próprio equilíbrio de cálcio nos ossos também volta ao equilíbrio rapidamente. Caso contrário, alimentos que são "acidificantes" levariam, no longo prazo, à redução da massa óssea e a outros problemas associados a dietas "acidificantes". Porém, como eu escrevi, esse não é o caso -- na verdade, a tendência é inclusive de aumento de massa óssea com alimentos "acidificantes".

    Essa volta ao equilíbrio do cálcio dos ossos se dá pelo fato de que o nosso organismo possui sistemas muito finos e bem regulados de manutenção da homeostase corporal.

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  3. Gostei muito do que li no seu posicionamento. Li, também, acerca dos argumentos contrários ao que você mostra aqui.

    Na sua resposta ao Allan, quando você usa expressões como "teoricamente", "até pode", "muito possivelmente", "mesmo que", fica bem patente pra mim que a questão não está fechada porque a ciência não tem ainda como provar absolutamente ou bater o martelo dizendo qual dos dois lados envolvidos na questão está realmente certo ou errado. Só o futuro dirá o resultado disso. A questão ficou ou fica aberta porque ninguém sabe os melindres exatos de funcionamento do sistema tampão . Sua resposta ao Allan evidencia isto. A ciência ainda quer e procura entender isso.

    Creio, sim, que "a volta ao equilíbrio do cálcio (e outros minerais alcalinos: Mg, Na, K, como exemplos em nosso corpo) dos ossos se dá pelo fato de que o nosso organismo possui sistemas muitos finos e bem regulados de manutenção da homeostase corporal", porém, creio, particularmente e anedoticamente, que isso depende da ausência de estados crônicas e subclínicos de doenças ( RI, SM, DM, entre outras) ou a velhice mesmo. Na juventude e na saúde todos os sistemas funcionam muito bem. Mas, na doença, pré-doença (ex: pré-diabetes) ou idade avançada, isso nunca que vou acreditar. Intuitivamente e por precaução/prevenção, prefiro optar por uma alimentação mais alcalinizante e mineralizante, regadas de verduras, folhas e frutas alcalinas, pois, no geral, isso é bem aceito como sendo mais saudável em qualquer dieta que se preze.

    Agradeço seu esforço em pesquisar, mas ninguém está 100% isento de ser tendencioso em suas crenças e pesquisas, inclusive eu. Como sua pesquisa foi bem feita, vou guardá-la em meu word, juntamente com as demais no sentido oposto. É muito bom ver e analisar pontos de vistas conflitantes, pois a ciência é feita assim mesmo. Muito obrigado e valeu!

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    1. Eu que agradeço o comentário, Gil. Muito construtivas as suas observações, sem contar que, de fato, é praticamente impossível, em qualquer assunto, dizer que a ciência "comprovou" algo. E é justamente por isso que eu tento, sempre que possível, utilizar os termos que você destacou (como "possivelmente", "provavelmente" etc.) na hora de expor a minha opinião.

      Porém, algumas coisas são bem claras. A maior parte dos estudos (e não são quaisquer estudos, são ensaios clínicos) que avaliaram o efeito da ingestão de dietas "acidificantes", ricas em proteínas, foi e vem sendo feita em populações adultas com idade mais avançada ou em populações idosas. E esses mesmos estudos mostram categoricamente que a maior "carga ácida" não prejudica a densidade mineral óssea, que é o desfecho mais estudado e de maior preocupação na saúde adulta quando se fala de pH sanguíneo e sistema tampão; muito pelo contrário, quando há alguma tendência, essa é de melhora da massa óssea com o aumento da “carga ácida”. E a preservação da massa óssea acontece independentemente dos pacientes apresentarem ou não alterações metabólicas.

      Apesar de não especificamente provar, essas são evidências bem fortes e consistentes. E isso é bom porque sugere que essa questão de se preocupar com a "acidificação" do sangue é algo que merece o mínimo de preocupação. Tem várias outras coisas muito mais relevantes a serem consideradas para uma saúde adequada.

      À parte dessa questão, o seu comentário "... prefiro optar por uma alimentação mais alcalinizante e mineralizante, regadas de verduras, folhas e frutas alcalinas, pois, no geral, isso é bem aceito como sendo mais saudável em qualquer dieta que se preze", apesar de ser completamente normal à primeira vista, é um tópico que sempre me coloca de prontidão. Apesar da maioria das pessoas falarem que as frutas e hortaliças devem fazer (ou ser a base) de qualquer dieta saudável, a grande verdade é que não é exatamente isso que a literatura científica mostra. Pra falar a verdade, os benefícios relacionados ao consumo desses alimentos são relativamente fáceis de serem contestados. Escreverei sobre isso em breve, caso seja do seu interesse.

      Mais uma vez, obrigado pelo comentário!

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    2. pra começar a entender melhor esses estudos e pesquisas, o bom seria parar de personificar o metodo cientifico como fazem todos os que querem de alguma maneira minar o conhecimento que esse método nos oferece, sempre falando em "a ciencia" isso, "a ciencia nao provou aquilo"...

      como esta muito bem mostrado e referenciado nas tres partes do texto, "a dona ciencia" na verdade é um conjunto muito grande de textos, artigos, estudos, relatorios de pesquisas, produzido por um grupo ainda maior de pesquisadores, que nao necessariamente concordam entre si, que partem de pressupostos, adotam metodos e chegam a resultados diferentes, e que cada um de nos que estuda e tem um minimo de discernimento sobre rigor metodologico interpreta de acordo com o respeito ou nao a tal metodo. bem distante da imagem de cego em tiroteio.

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  4. Gosto muito de estudos/literatura científica e sempre procuro, na medida do possível, correr no encalço destes. Porém, vejo que eles podem propiciar vieses de extrema complexidade, chegando mesmo a comprometer o inteiro descobrimento ou entendimento daquilo que está no foco da pesquisa. Resultado: “...é praticamente impossível, em qualquer assunto, dizer que a ciência ‘comprovou’ algo”. Um desapontamento bem comum entre aqueles que buscam respostas efetivas. Sim, tantas pesquisas e bem poucos resultados...
    Quanto às interpretações, elas tendem ser mais enviesadas ainda e quase sempre são de caráter duvidoso, dependendo de quem pesquisa, patrocina ou divulga. Muito eclético este mundo dos homens da (pseudo?) ciência: tem quase de tudo pra todos os gostos, pois, nem é algo raro de ocorrer que estudos/pesquisas cheguem a conclusões opostas sobre pontos e questões bem idênticas. Novamente, a chave pode ser aquele que pesquisa ou quem patrocina e os reais objetivos por trás de cada estudo. Um verdadeiro tiroteio no meio de cegos (nós, os leigos). Procuro qualquer sábio ou um tolo que consiga provar o contrário destas minhas últimas afirmações.
    Bem pior, aliás, sempre um desastre presumível, quando algumas pesquisas caem no gosto e nos holofotes da mídia sedenta de manchetes sensacionalistas e em busca de vendas oriundas da publicidade. Ela tem sido mestra de “reportagens de fachadas” e, por sinal, muito bem pagas. E o que dizer daquelas propagandas mui elaboradas sobre algum alardeado produto que nem foi tão pesquisado assim? E o que ocorre quando um ou outro estudo cai de bandeja no gosto de um determinado setor econômico, como por exemplo: indústria do alimento ou medicamento? Fica bem mais difícil, até pra incautos médicos e nutricionistas, filtrar e distinguir entre a ciência genuína e os grandes interesses financeiros. E o que dizer da parte final da cadeia, isto é, o consumidor? Sim, muitas opiniões, medicamentos, tratamentos e dietas de todos os tipos: bolsos se enchem, enquanto outros se esvaziam.
    Refletindo ou desabafando sobre todos estes pontos, então, novamente eu concordo com você: “... essa questão de se preocupar com a "acidificação" do sangue é algo que merece o mínimo de preocupação. Têm várias outras coisas muito mais relevantes a serem consideradas para uma saúde adequada...” e entre estas eu quero destacar: quanto mais LEIGO e mais DOENTE alguém for, maior será o seu prejuízo. Infelizmente, alguns, em santa ignorância, chegaram a pagar com a própria vida. Pretendo ser esperto pra não ter que pagar com a minha. Queira Deus que eu morra da morte morrida e não da "matada".
    Assim, meu caro, eu ainda continuo olhando de cima do muro e cada vez mais indeciso entre as coisas anedóticas e o mundo impressionante da ciência. De vez em quando, como qualquer mortal curioso, eu clico no pubmed. Desculpe-me pelo texto longo e a franqueza ou rispidez nas palavras. Seu blog é excelente. Pouco a pouco, pretendo ler tudo. Obrigado.

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    1. Que nada. O seu comentário foi muito bom, até porque concordo com quase tudo que está nele.

      Inclusive, a parte sobre interesses financeiros é bem pertinente. E só para não perder o foco, vou falar um pouco sobre a possível influência que ela teria sobre essa questão de pH sanguíneo (que julgo ser algo simples de se entender).

      Se existe algum interesse por trás dessa área, seria justamente o de tentar mostrar evidências que alimentos ou bebidas diretamente modificariam o pH sanguíneo, e que isso, por sua vez, influenciaria a saúde das pessoas. Se os estudos mostrassem isso, seria muito mais interessante para a indústria comercializar seus produtos (alimentos, bebidas, suplementos, medicamentos) e lucrar sobre isso. O fato das evidências científicas mostrarem justamente o contrário indica que a probabilidade de vieses na concepção, execução e interpretação dos estudos é bem baixa. Ou seja, esse é mais um motivo para se acreditar nessas evidências.

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  5. João, "passei" a vista nos 3 tópicos sobre o PH e achei bem legal sua pesquisa como também o tema que vc colocou: "Para pensar, discutir e refletir..." ....isso mostra que você é aberto à questionamentos e parece não ser "travado" somente nos estudos apresentados ou aprendidos na academia.....
    Afinal, como o Gil Farias COMENTOU muito BEM, nem tudo que é "científico" é de fato verdadeiro! Como dizem alguns: Eu confio na ciência e não nos cientistas.... O que se aprende nas salas de aulas pode, muitas vezes ser tendencioso à interesses diversos......e nós, os pequenos "mortais" como disse o Gil, que ficamos no meio de todo esse bombardeio de informações vindas de tantos lados(com ou sem interesses), nos resta processar, observar e o melhor -> NOS TESTAR, fazer experiências, vivências de fato e ai sim, poderemos ter algumas certezas talvez só nossas de que aquilo funciona ou não, é verdadeiro ou falso.......
    A um certo tempo venho me experimentando, observando a mim mesmo como o corpo se mostra sem uso de nenhum tipo de carne, nem processados....fazendo uso de alimentos o mais natural possível e incluindo também sementes germinadas, a chamada comida viva ...... intrigante João, é observar pessoas doentes, que fizeram uso de verdade desse tipo de experimento usando crus e vivos e poder ver em seu próprio organismo reversão de tantos males por eles sofridos a tempos e com uso de medicamentos farmacêuticos prescritos pela medicina tradicional entendeu?! Pode se até dizer que é contestável pela literatura o uso na base de frutas e verduras porém é fato de que diante da alimentação que hoje se tem, onde quase tudo é modificado , processado e etc e não há estudos isentos e aprofundados de que isso NÃO irá trazer malefícios profundos as pessoas, com certeza o mais natural é de longe a opção bem mais acertada se cada um puder ver o que acontece em si após fazer uso correto dessa opção.
    Queria apenas relatar esses dois pequenos exemplos próximos a mim apenas como experiência para se observar :

    Gilson

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    1. Olá, Gilson.

      Em relação ao foco desse seu primeiro comentário, concordo com o que você disse. Nem tudo que é publicado por pesquisadores necessariamente é a verdade. Inclusive, acredito que a meu objetivo principal, com o blog, é poder transmitir as evidências científicas, com o mínimo possível de vieses, para que as pessoas possam obter o conhecimento necessário para tomar suas próprias decisões.

      Nesse cenário, o mais importante de tudo, no final das contas, é que cada um realmente experimente e descubra o que é melhor para si.

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  6. Tive oportunidade de conhecer um colega cuja glicemia altíssima por ele apresentada beirava os 400 a 500 ml/dl e o pai havia morrido cego e amputado como consequência dessa glicemia livre no sangue e mesmo trabalhando na época em um plano de saúde e tendo vários médicos como companheiros de trabalho nunca conseguiu “domar” os efeitos da dita diabetes. Um pode ouvir de um outro médico sobre possível reversão de diabetes usando alimentos vivos e seguindo um certo protocolo descrito por um médico americano.....resolveu se testar e experimentar durante um carnaval da vida....no feriadão....para seu espanto no quarto dia de experimento a glicemia caiu a patamares nunca visto por ele. Segue até hoje comendo alimentos frescos, muita verdura de cultivo orgânico e muitos germinados sem uso de carne alguma....sua glicemia estabilizou desde essa época em 100 a 110 sem uso de qualquer droga para manter esse patamar......

    Minha mãe, após introduzir mesmo depois dos 68 anos de idade, muitas frutas, muitas verduras e até alimentos germinados em sua aliemtação consegui que ela fizesse experimentos de “desmamar” algumas das muitas drogas usadas por ela , a do controle de pressão arterial........passou-se um certo tempo e depois das oscilações que se tem no corpo ao se sair desse tipo de “muleta” os níveis tem se mostrados dentro da faixa dita normal sem que tenha que tomar todos os dias o dito medicamento.

    O que a ciência de fato poderia dizer sobre esses casos, sobre o impacto que o corpo sofre nesses experimento onde consegue , por ele próprio, voltar à homeostasia caso muitos tivessem coragem e pudessem fazer esse tipo de experimentos, indo na “contramão” do que muitas vezes é dito e imposto até mesmo na sala de aula, fazendo uso de alimentos melhores, sem mutações genéticas , processados e observando seus resultados ?
    Como bichos, nós seres humanos inquietos estamos a quase todo custo buscando , principalmente nessa época louca de doenças inúmeras que surgem aos milhares e a toda hora, algo que possa melhorar nossa existência aqui nesse planeta . O que sempre vai existir até hoje, é a enorme dificuldade diante da ganancia de muitos de distinguir cientistas e suas teses de ciência...

    Desculpe pela quantidade escrita mas é isso ai e obrigado pelo tema proposto por você.

    Gilson

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    1. As dietas veganas, a alimentação viva e o crudivorísmo, entre outros padrões alimentares semelhantes, são frequentemente relatados, por muita gente, como formas de se alimentar capazes de melhorar drasticamente a saúde, principalmente daquelas pessoas que possuem doenças crônicas descompensadas.

      Nesse tipo de situação, a ciência não é tão imprescindível. O mais importante, claro, é que a pessoa recupere sua saúde. Especificamente para esses casos, o "problema" não é que as evidências científicas seriam contrárias a esses padrões alimentares que você e eu mencionamos. O grande "problema" é que simplesmente não existe ciência. Quase ninguém faz estudos sobre esses padrões alimentares "alternativos", até porque tanto o investimento como os interesses por trás deles são mínimos.

      É claro que quando se fala de alimentação viva, estamos falando de dietas veganas. E quando se fala de dietas veganas, não podemos deixar de mencionar a importância de fazer com que elas sejam extremamente bem planejadas. Essas dietas invariavelmente trazem benefícios em curto prazo, mas podem levar a algumas insuficiências e deficiências nutricionais caso não sejam bem planejadas, tanto na escolha dos alimentos como na eventual necessidade de suplementação de alguns componentes específicos.

      No final das contas, o que normalmente se observa, tanto nos estudos como na prática, é que os melhores resultados são obtidos quando a alimentação é o mais natural possível. Quanto menor é a presença de produtos processados e modificados, melhores são os resultados para a saúde. E isso normalmente vai ocorrer independentemente da presença ou não de carne e outros alimentos de origem animal.

      Não sei exatamente por que você resolveu fazer esse comentário após os textos sobre o pH. Talvez porque muita gente acredita, e propaga, que os benefícios decorrentes de dietas veganas e similares são provenientes, em grande parte, da influência que o maior consumo de frutas e hortaliças (assim como a ausência de alimentos de origem animal) tem sobre o pH sanguíneo. Mas isso não é verdade, e é importante que isso fique claro. Não estou dizendo que esses padrões alimentares não trazem benefícios. O que estou dizendo é que, considerando a vasta quantidade de evidências que temos sobre esse assunto, os possíveis benefícios proporcionados por esses padrões alimentares não são decorrentes de alterações no pH sanguíneo.

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  7. Sobre este tópico, o único argumento que ainda não consigo enquadrar é este aumento da excreção urinária de cálcio com dietas hiperproteicas. Primeiro, por que é que ele ocorre? Afinal de onde vem este cálcio, se não for do osso? É bom ou mau este aumento da excreção de calcio e por que? Penso que os estudos escasseiam para obter respostas a estes topicos, poderia me ajudar? Ana Jeronimo

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    1. Olá, Ana.

      O nosso corpo tende a buscar o equilíbrio. Quando há aumento na ingestão de um nutriente, a tendência é que a sua excreção também seja maior. E é algo parecido com isso que acontece nesse caso: dietas hiperproteicas levam a uma maior absorção de cálcio, resultando, também, em uma maior excreção desse mineral.

      Ou seja, não tem por que se preocupar, já que esse cálcio não vem do osso. Mesmo que não soubéssemos de onde vem esse cálcio que está sendo excretado em maior quantidade, os estudos clínicos que mostram manutenção e/ou aumento da massa óssea com dietas hiperproteicas são suficientes para nos informar que esse aumento na excreção de cálcio não é um problema.

      A princípio, esse aumento na excreção de cálcio é neutro. Desconheço evidências que poderiam sugerir efeitos negativos. Por outro lado, no contexto de dietas com teor aumentado de proteína, ele é um marcador de algo potencialmente positivo: melhora da massa mineral óssea (por mais contraditório que possa parecer).

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  8. Olá Gabriel tudo bom?
    Cara parabéns pelo seu excelente trabalho no blog, adoro ler blogs com embasamento científico, estou lendo quase todos os seus posts. :)
    Tenho uma dúvida para tirar com você em relação ao texto.
    Eu seguia um médico nas redes sociais que fala abertamente sobre a alimentação alcalina e como ela afeta o PH do corpo/sangue. Quando foi indagado sobre a questão do PH do corpo/sangue não se alterar independente da sua alimentação, o mesmo acho que tentou sair dizendo que a alimentação alcalina evitava o esforço excessivo e desnecessário do tamponamento sanguíneo. Visto que o PH urinário se altera sensivelmente de acordo com a alimentação, afim de manter o PH sanguíneo estabilizado, ele estaria correto na afirmação dele??
    E se sim qual seria as consequências desse esforço excessivo nos rins??
    Você não quis se alongar muito nessa questão quando disse que "sim, um pH urinário mais básico pode auxiliar em algumas situações específicas. [Não citarei exemplos específicos para não sairmos do foco do texto e não torná-lo ainda mais longo]." Mas realmente gostaria de tirar essa duvida.

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    1. Olá, Paulo!

      Essa é uma ótima pergunta. Realmente ocorre uma modificação do pH urinário, decorrente, em parte, do controle do próprio pH sanguíneo. Isso é um fato. Mas isso não significa que esse é um "esforço excessivo", e muito menos que uma dieta "alcalina" seria capaz de amenizar essa questão. Se realmente fosse um "esforço", as evidências mostrariam que o consumo de dietas "acidificantes" está associado ao desenvolvimento de problemas de saúde, mas isso não ocorre.

      Podemos fazer a mesma análise para os rins. A forma mais evidente de dieta "acidificante", na prática, é uma alimentação rica em proteínas. Então, para sabermos se uma dieta desse tipo é capaz de trazer problemas renais, basta procurarmos pela relação entre o maior consumo proteico e a saúde dos rins. Ao fazermos isso, é possível ver claramente, tanto por estudos observacionais como por ensaios clínicos, que o maior consumo proteico não está relacionado a problemas nos rins. Ou seja, um rim saudável não se "esforça" mais para excretar produtos ácidos; é simplesmente uma de suas funções.

      A não ser que a pessoa já possua um problema renal prévio. Nesse caso, como afirmei em um dos textos da série, restringir a ingestão proteica é, a princípio, algo importante.

      Em relação ao pH urinário básico, existem algumas evidências que sugerem que ele poderia auxiliar em dois casos específicos. O primeiro seria na redução da formação de pedra nos rins -- nesse cenário, em pessoas que possuem pré-disposição para a doença. O segundo seria na redução dos níveis de ácido úrico em pessoas que estão com esse marcador fora dos valores de referência.

      É possível que existam outras condições que possam se beneficiar de um pH urinário mais básico, mas nada que me venha à cabeça no momento. Mas veja que, em ambos os casos que eu citei, não tem a ver diretamente com pH sanguíneo. Daria pra dizer que uma dieta "alcalina" pode ajudar nesses dois exemplos que citei? Acredito que sim, porque esse tipo de alimentação vai influenciar o pH urinário.

      Mas como mencionei no texto, os supostos benefícios do consumo de dietas "alcalinas", aqueles que são mais citados, ainda sim permanecem sem embasamento científico.

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  9. Olá Gabriel,

    Primeiramente, parabéns pelo post.

    Gostaria de tirar uma dúvida: vi que os estudos são feitos a curto prazo (semanas, meses). Existem evidências que tragam respostas a longo prazo da tal "dieta ácida" sobre a saúde ou pH sanguíneo?

    Obg!

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    1. Obrigado pela leitura!

      Eu sinceramente desconheço de estudos do tipo ensaio clínico de prazo mais prolongado no que diz respeito ao efeito no pH sanguíneo. Mas dificilmente teríamos resultados diferentes daqueles observados nos estudos que duram alguns dias ou semanas, já que a regulação do pH é um processo muito bem controlado.

      Em relação à saúde, os estudos mais importantes que temos nessa área são aqueles que citei, nessa terceira parte do post, que avaliam o efeito de dietas ricas em proteínas na saúde óssea. Os trabalhos mais longos têm duração de 1 a 2 anos, com resultados neutros ou até positivos no sentido de atenuar a perda de densidade óssea. Além disso, considerando o efeito que um maior consumo proteico tem na saúde metabólica (controle de peso e marcadores associados), é difícil imaginar que essas dietas (porque, na prática, dieta ácida é basicamente sinônimo de dieta rica em proteína) levariam a maiores problemas no geral.

      Mas acho que vale uma ressalva: existem algumas coisas associadas ao maior consumo proteico, principalmente com carnes, que podem potencialmente afetar negativamente a saúde -- principalmente a questão da forma de preparo (carne cozida em elevada temperatura ou não, por exemplo). Pretendo escrever um pouco sobre esse assunto no futuro, mas é algo a se atentar quando pensamos em pessoas que já consomem ou pretendem consumir dietas mais ricas em proteínas.

      Ou seja, uma dieta mais “ácida” pode, talvez, ter efeitos negativos (as evidências ainda não são tão claras), mas até onde sabemos não tem nada a ver com a carga ácida, e sim com outros fatores associados.

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  10. Excelente! Obrigada pelo esclarecimento.

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  11. Gente, pelo amor de Deus.
    O pH do sangue não muda. Entendam isso.
    O que muda é o pH tissular

    O pH do sangue ideal é 7,45
    o do tecido é 7, na teoria, na prática é ele quem altera, um idoso chega a ter um pH tissular de 6, 6,5 dependendo da situação.

    A nossa produção endógena de bicarbonato de sódio é reduzida com a idade, e com isso nossa capacidade de tamponar também reduz.

    João, desconheço um trabalho grande, feito com dietas alcalinas / ácidas, você conhece? nenhum desses que você postou vi relevância numa população geral, e ainda acho difícil um trabalho desse porque, ao contrário do que foi dito aí em cima, a questão não é forjar um resultado, a questão é fazer um estudo para esse fim.

    Eu acredito, baseado em fisiologia, que uma alimentação alcalinizante ( e não alcalina necessariamente ) seja benéfica. Independente para qual fim.

    Obrigada( prefiro não me identificar, uma paciente me mandou o link do seu blog )

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    1. Olá.

      Existem alguns trabalhos que testaram dietas “alcalinizantes”, mas de forma indireta. Ou seja, não ficava explícito que o objetivo era testar uma dieta desse tipo, mas, na prática, considerando os alimentos que são adicionados ou excluídos, a dieta acaba sendo "alcalinizante".

      O Women's Health Initiative é um exemplo. O maior ensaio clínico da história da pesquisa em nutrição, com uma dieta que, na prática, era pelo menos parcialmente "alcalinizante". Apesar disso, foram encontrados resultados nulos sobre todos os desfechos crônicos avaliados.

      De forma semelhante, existem alguns outros estudos menores semelhantes nesse sentido. Só não comentei sobre eles nessa série porque talvez perdesse um pouco do foco e alongasse ainda mais a discussão.

      Mesmo assim, existem sim boas evidências que podem sugerir que, no nível individual, adotar algumas práticas relacionadas a dietas "alcalinizantes" poderia (sempre possibilidade, nunca certeza) reduzir o risco de doenças crônicas e metabólicas. Só que isso não necessariamente seria um efeito direto desses alimentos, mas talvez um benefício na redução do consumo de produtos processados e modificados. Mas esse é um assunto (complexo) pra outro dia.

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    2. Conheço Women´s Health Initiative.

      Pelo que sei, o que é interessante é ter uma alimentação que seja alcalinizante e não alcalina em si.

      O maior consumo de minerais tem um efeito sistêmico ( em termos de pH ) inclusive melhorar o pH da urina e do organismo como um todo, é fundamental. O sangue tem sempre um efeito tamponante, as custas de minerais. Não é sempre, mas ás vezes ele faz isso a partir de um mineral ósseo e api gera uma desmineralização. Acredito que o componente mais acidificante de sangue é o açucar, porque o metabólito derivado da mitocondria que vai pra cadeia respiratória é o CO2 dissociado ( ácido ) e a maneira fisiológica que o organismo tem é trocando esse gás pelo oxigenio que tem ação alcalinizante. Isso é um processo é difundido.
      Essa semana recebi de uma amiga um artigo que um rapaz publicou no facebook a respeito da não comprovação de que água alcalina tratava câncer (?)
      O mais interessante é a extrapolação das pessoas que dizem que alguém já disse que tratava.

      A discreta mudança no pH do estômago quando ingerimos algum alimento alcalino ( em si ) tem repercussões sistêmicas, mas pouco.
      Acredito que a melhor coisa que nós podemos fazer para cuidar do nosso pH sistêmico (principalmente o do tecido, que é o foco)é não ingerir açucar, definitivamente. E ingerir brássicas, abacaxi e limão ( ricos em ácido cítrico ) que serão absorvidos na forma de citrato.

      OBS: se tiver acesso a um filtro que magnetiza a água, não sei qual o motivo da polêmica, pois uma água com acréscimo de magnésio só será benéfica a saúde.

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  12. Muito bom o levantamento de estudos científicos. No entanto, ainda tenho uma questão, o tempo dos experimentos. Em um dos experimentos a duração foi de apenas 9 dias. Isso é suficiente para se ter uma resposta satisfatória? É sabido que o tempo é um fator condicionado por verbas em pesquisas.

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    1. Olá.

      Sim, tempos curtos são suficientes para serem observadas alterações no pH. Se forem utilizados agentes externos que de fato podem mudar o pH sanguíneo, como bicarbonato ou atividade física de alta intensidade, podem ser notadas alterações em minutos ou horas.

      Porém, a grande questão não é nem essa, mas sim o efeito que dietas "acidificantes" têm sobre a saúde no médio e longo prazo. Para isso, como mencionei na parte 3, temos os estudos avaliando o efeito de dietas hiperproteicas sobre a saúde óssea. Nesses casos, as evidências mostram efeito neutro, e até benéfico, desse tipo de dieta "acidificante" na densidade mineral óssea -- que teoricamente seria afetada de forma negativa por uma carga "ácida" da dieta.

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  13. Boa noite João
    Li o seu post sobre o Ph e gostaria de saber de vc o que acha da água alcalinizada e seus esfeitos no organismo principalmente relacionado ao ph sanguineo. Vc poderia falar um pouco disso e me dizer alguns estudos referente

    obrigada
    Márcia

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    1. Olá, Márcia.

      Até onde sei, até o momento apenas um estudo foi feito no sentido de testar o efeito da água alcalina (uma marca específica) sobre o pH sanguíneo. Nesse trabalho, eles utilizaram uma água de pH 10. Segue o link para o estudo, que é gratuito para baixar:

      http://jissn.biomedcentral.com/articles/10.1186/1550-2783-7-29

      O estudo parece realmente mostrar um efeito alcalinizante no pH sanguíneo dos participantes que beberam a água alcalina (grupo experimental), quando comparados àqueles que beberam a água convencional (grupo controle).

      Mas pelo menos duas ressalvas devem ser feitas. A primeira é que o pH sanguíneo inicial dos participantes do estudo era de 7,52 e 7,55, nos grupos controle e experimental, respectivamente. O problema é que esses níveis são superiores ao "máximo" que deveria ser encontrado, que seria por volta de 7,45 (pode não parecer, mas a diferença de 7,45 para 7,52 e 7,55 é bem considerável). Isso sugere que muito provavelmente houve problemas na hora da coleta do sangue e/ou mensuração do pH. Só por esse motivo já não podemos ter muita confiança nas medidas de pH sanguíneo que foram feitas em qualquer momento do estudo. Será que a água alcalina realmente aumentou o pH sanguíneo ou será que houve também algum erro nesse sentido? Eu particularmente acredito que deve ter aumentado sim, mas não podemos ter tanta certeza.

      Mesmo considerando que o pH sanguíneo aumentou, ainda fica uma questão importante: o que esse aumento no pH realmente significa? Será que é bom? Será que é neutro? Ou será que pode ser prejudicial em algum sentido? Não sabemos, simplesmente porque não há estudos testando os efeitos da ingestão de água alcalina em parâmetros ou desfechos de saúde, nem mesmo no curto prazo.

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  14. Ola, boa tarde João Gabriel!!
    Li os três post que publicou aqui. Muito interessante e parabens pela abordagem, de certa forma, corajosa e muito bem fundamentada sobre nosso PH. Muito boa a apresentação.
    Vc mencionou sobre o consumo de bicarbonato e a atividade física.
    Falou também que alimentos ácidos não influenciam no resultado final do ph do sangue. Que alimentos alcalinizantes tb não alcalinizariam o sangue...
    Mas, gostaria que se possivel, comentasse a respeito do que o consumo moderado e frequente de bicarbonato de sódio seria capaz de fazer no organismo. seja um organismo sedentário ou mesmo de um atleta.
    Desde já agradecido.
    Rodrigo

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    1. Olá!

      Não temos estudos que testaram o que a suplementação consistente de bicarbonato pode fazer quando acontece durante um tempo mais prolongado.

      Considerando a fisiologia normal do ser humano, a ingestão do bicarbonato "extra" leva a um aumento nos níveis sanguíneos no curto prazo (semanas); talvez leve também ao aumento no médio prazo (meses). Depois desse tempo, com a continuidade da suplementação, é possível que esses níveis permaneçam acima dos valores habituais, mas também é possível que voltem a concentrações normais -- o que poderia acontecer porque o corpo, depois de certo tempo, pode voltar ao equilíbrio original.

      De qualquer maneira, é bem provável que não haja prejuízos, mas também não é possível saber se há alguma vantagem da suplementação contínua. É possível que alguns problemas de saúde que dependem do pH urinário (como, talvez, a excreção de ácido úrico em casos de gota) possam ser beneficiados, uma vez que o potencial alcalinizante do bicarbonato poderia levar ao aumento no pH urinário. Mas essa é só uma especulação minha.

      Essas considerações valem tanto para pessoas "normais" como para atletas. Porém, no caso de atletas, os possíveis benefícios, caso existam, poderiam ter uma chance diminuída de acontecer, uma vez que parte do bicarbonato suplementado seria utilizada pela demanda que o organismo cria devido à prática de exercícios de intensidade mais elevada.

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  15. Os alimentos regulam a saúde do sangue. As hemácias são o chamado sistema tampão que regula o ph do sangue.Para bom entendedor não é preciso explicar mais...

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    1. Olá, Pascal.

      O que você falou não condiz com a fisiologia básica do organismo, infelizmente; qualquer livro de fisiologia pode mostrar isso. A regulação do pH sanguíneo vai bem além das hemácias, e é essencialmente independente da alimentação.

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  16. Olá tudo bem,
    bacana o texto, o primeiro que vejo com dados contundentes que rebatem a dieta alcalinizante, gostaria de saber sobre a questão dos refrigerantes e açucares e também sobre a questão de proliferação de doença em meio a sangue acidificado.

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    1. Olá, Betim.

      Açúcares e refrigerantes certamente fazem mal, mais em algumas circunstâncias do que em outras. Mesmo assim, os prejuízos não são decorrentes de alterações no pH sanguíneo, mas sim de alterações no metabolismo energético -- em como o corpo usa, armazena e responde a carboidratos, gorduras e seus produtos.

      As doenças crônicas estão cada vez mais prevalentes, mas não existem evidências de que esses problemas seriam decorrentes de um efeito "acidificante" da alimentação (e existem evidências contrárias a isso). Mas uma coisa é certa: essas doenças não são causadas por modificações no pH sanguíneo, tendo em vista que, como mencionei nos textos, ele não é modificado pela alimentação.

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  17. Olá João,
    Li os 3 posts do PH e achei muito bons. Me deparei com eles pois estava pesquisando recomendações nutricionais para meu pai, que está com apenas 20% da capacidade pulmonar por conta de um efizema, e emagreceu bastante, talvez por conta dessa acidose mencionada no texto. Estou preocupado com a ingestão de proteínas por ele, nesse contexto. Que recomendações você faria?
    Abraços,

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    1. Olá, Adriano.

      Eu não acho que uma menor ingestão de proteínas vai contribuir positivamente para esse tipo de quadro, mesmo que exista uma acidez respiratória. Porque, considerando quantidades habitualmente consumidas de proteínas, o impacto que elas poderiam ter no pH sanguíneo, mesmo em condições de acidez, provavelmente é muito pequeno.

      No entanto, o que eu diria é que uma dieta low-carb, rica em gorduras, talvez possa ajudar. Se for uma dieta cetogênica (ou próxima disso), talvez seja melhor. Porque, quanto maior é a ingestão de gorduras, mais o corpo usa esse nutriente como fonte de energia. Com a maior oxidação de gordura pelas células do corpo, menor é a produção relativa de CO2, e menor é o trabalho pulmonar.

      Essa não é uma sugestão de tratamento, e também não é uma garantia de que vai ter qualquer efeito sobre a condição do seu pai. Mas é uma possibilidade que, se testada e bem tolerada pela pessoa, pode trazer algo de positivo. Só não posso deixar de dizer: se for experimentar, faça com calma e cuidado.

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  18. Boa tarde, perguntei para você sobre isso em outro post e cheguei aqui. Li, entendi, sei que tudo isso é baseado em evidência. Mas pela fisiologia não faz sentido. Uma vez que com o passar da idade a capacidade de tamponamento vai diminuindo, íons HCO-3 vão sendo menos produzidos seja pelo pâncreas exócrino, seja pelas células parietais do estômago, a única forma de tamponar naturalmente ( mesmo não ingerindo ácido ) seja através de minerais ( estes que também são obtidos através da alimentação )

    Nutrição/medicina não se faz através de relato de caso, sei muito bem disso, mas minha vó teve uma redução significativa de osteoporose com o consumo "medicamentoso" de água alcalina ( magnesiana ) toma 200 ml / 5 vezes ao dias. Não é o fato do pH da água ser 8 e sim o que tem na água que faz ela ser alcalina - que neste caso é o magnésio.

    Resumindo a minha opinião baseada em fisiologia, sei perfeitamente que o pH do sangue não altera em condições saudáveis ( embora exista uma processo muito conhecido na nutrição/medicina chamada de onda alcalina ) onde o pH do sangue sofre leve alterações para mais logo após uma refeição pesada. isso é imediatamente regulado através da excreção renal e respiração pulmonar, porém no contrário, mesmo o sangue se mantendo, a maior demanda de minerais é recrutada, se não utiliza Ca + dos ossos, utiliza o que? Já li 2 livros do Dr. Bruce Ames ( que criou a teoria da triagem ) o organismo faz de tudo para se manter vivo, as custas de...... nutrientes. Somos feitos de nutrientes.

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    1. Olá.

      Não duvido da melhora que sua avó teve consumindo água alcalina. A grande pergunta é: essa foi a única alteração que ela fez, incluindo alimentação, medicamentos e outros hábitos, para tentar atenuar ou reverter a osteoporose? É claro que não sei a resposta, por isso pergunto, mas é muito raro um paciente tentar só uma alternativa quando existem várias possibilidades de tratamento. Se sua avó fez outras alterações, não é possível afirmar que o efeito foi apenas da água alcalina, ou inclusive se água alcalina de fato teve um papel.

      Em relação aos livros que você leu, preste bastante atenção no que as informações são baseadas. Veja se eles têm referências, e tente saber até que ponto elas são confiáveis -- tanto no sentido de dar suporte às ideias defendidas como no próprio sentido científico (até mesmo pesquisadores às vezes cometem erros ao usarem referências científicas). A própria teoria da triagem possui pouquíssimas evidências para embasá-la; não que ela não seja verdadeira, mas não passa de uma possível hipótese.

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    2. É chato conversar sem ter um perfil no google porque fica parecendo que a gente é leigo, que não sabe de nada.
      Não é querer dar carteirada mas sou acadêmico, me interesso nessa área muito antes de entrar no cursinho pré-vestibular... Já levei muita lombada, já falei besteira, já me decepcionei... Em relação a minha vó, ela não tomou apenas água alcalina, mas fez o que eu indiquei e não tomou PROLIA ( uma injeção de medicação para osteoporose ) passei suplementação individualizada para ela mediante aos exames sanguineos e água alcalina. Apenas isso. Eu acho que o futuro honesto do tratamento das doenças crônicas será através da nutrição. Quanto a teoria da triagem, de fato nunca li nenhum artigo com esse nome no título, mas o interessante é que quem tem esse conceito em mente e pratica seja em si próprio, seja nos pacientes, os resultados aparecem.... e aí falam que é placebo. É sempre essa piada.

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    3. Dada a situação, o simples fato de haver uma suplementação (de várias coisas diferentes, pelo que me parece) junto com a água alcalina já impossibilita saber o que de fato teve efeito no caso que você relatou.

      E, com vários agentes atuando ao mesmo tempo, é praticamente impossível falar sobre qual foi o mecanismo que possibilitou a melhora da osteoporose. Seria precipitado imaginar que foi por uma questão de tamponamento do pH.

      Até porque a osteoporose, do ponto de vista nutricional, é uma doença muito pouco estudada. Ninguém de fato sabe como a alimentação e nutrientes específicos, assim como sua combinação, podem estar por trás da recuperação de quadros como esse.

      Como disse no comentário anterior, é possível que a hipótese da triagem tenha mérito, mas isso não pode ser afirmado. Não só porque as evidências para a confirmação dessa hipótese ainda insuficientes, mas também porque, como mencionei mais acima, quanto mais intervenções são usadas ao mesmo tempo, menor é a chance de estabelecermos o mecanismo de ação delas. Podemos especular, mas não muito mais do que isso.

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    4. Vejo que a discussão está em torno de se alimentação pode ou não alterar o pH do sangue? A resposta é bem simples não altera. Entretanto, os nutrientes que nós precisamos dos animais mortos eles adquirem do capim... Se seguissémos a vontade de Deus dispensariamos a ciência porque fomos feitos para sermos herbívoros e nem necessitariamos do suplementos... Tudo o que homem inventou como alimento tem consequências sobre nosso corpo...

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  19. " Alguns artigos de revisão sugerem que as alterações na homeostase ácido-base no microambiente tumoral são comuns na patologia do câncer21 e que o fluido intersticial do tumor tem uma capacidade tampão reduzida em comparação com tecidos normais e, juntamente com altas taxas de produção de produtos metabólicos finais, Os tumores podem causar um ambiente extracelular ácido.22 Além disso, a terapia do câncer pode ser influenciada pelo pH. Alguns estudos in vitro e em animais sugeriram que a alcalose metabólica pode ser útil para melhorar alguns regimes de tratamento do câncer.33
    Uma dieta que forneça saldo alcalino parece melhorar padrões típicos de pacientes oncológicos, como um maior pH no liquido intersticial. "

    BMJ Open. 2016; 6(6): e010438.
    Published online 2016 Jun 13. doi:

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    1. Olá.

      Temos que ter muito cuidado com o viés de seleção e o viés de confirmação. Não podemos nos apoiar em apenas parte do que as evidências dizem para embasar nossos argumentos.

      Aproveitando esse mesmo artigo que você citou, fica um trecho da conclusão dos autores desse trabalho (que é até mais importante, porque é uma revisão sistemática sobre o assunto):


      "This systematic review of the literature revealed a lack of evidence for or against diet acid load and/or alkaline water for the initiation or treatment of cancer".

      “Essa revisão sistemática da literatura revelou uma ausência de evidência a favor ou contra uma carga ácida da dieta e/ou a água alcalina para o desenvolvimento ou o tratamento do câncer”.


      Sem evidências, não tem como afirmar nada. Não é que a possível modulação do pH dos fluidos corporais não possa acontecer, e que ela não poderia ser útil para tratar doenças, incluindo o câncer. É que (ainda) não existem evidências para afirmar nada. Só isso.

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  20. Então ao seu ver, comprar um filtro de água que acrescente magnésio, potássio e cálcio ( aumentando o pH ) é jogar dinheiro fora?

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    1. Olá.

      Não sei se é jogar dinheiro fora. A única coisa que posso dizer é que, considerando as evidências científicas, não é possível afirmar que esses minerais vão "alcalinizar" o sangue ou outros fluidos corporais.

      Mesmo que levem a esse efeito "alcalinizante", de forma alguma poderíamos traduzir isso necessariamente como um benefício à saúde. Porque, quando falamos de efeitos reais na saúde, temos que focar em desfechos mais importantes, como saúde óssea ou prevenção de alguma doença.

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  21. O ácido fosfórico contido em refrigerantes de cola por exemplo tem alguma influência na saúde?
    Quais influencias seriam essas?
    Obrigado

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    1. Olá.

      Ainda é difícil saber, porque os efeitos do excesso de fósforo ainda não foram bem estudados, e só estão recebendo um pouco mais de atenção nos últimos anos. Além disso, temos apenas estudos observacionais, que virtualmente não podem nos dizer nada sobre causa e efeito.

      Alguns trabalhos até o momento sugerem que o alto consumo de fósforo, não só do ácido fosfórico de refrigerantes, mas também de outros aditivos alimentares que contêm fósforo em sua composição, está associado ao maior risco cardiovascular e ao maior risco de problemas renais. Mas, como falei, são apenas associações. Além disso, como são ingredientes encontrados em produtos industrializados e processados, esse maior consumo de fósforo na dieta das pessoas pode ser simplesmente um indicativo de um maior consumo de produtos industrializados e processados.

      Mas a parte mais importante é: esses alimentos processados e industrializados não fazem bem, e tem um grande potencial de causar problemas. Então podemos simplesmente evitá-los. Se tivermos isso em mente, o verdadeiro efeito do ácido fosfórico dos refrigerantes se torna irrelevante, porque não estaremos consumindo produtos que contêm esse ingrediente.

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  22. Muito bom seu artigo. Muito bem escrito e de fácil compreensão.

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  23. Vou expandir este comentário com tempo ... . Por agora quero agradecer pela informação crucial, responsável e desmistificadora que é veinculada.... Há muito tempo procuro algo sério sobre este assunto ... . E esta é a primeira postagem que esclarece e convence ... . Charlatões, palestrantes, expalham o terror alimentar com afirmações como estas, das variações do ph salnguineo ... . Muito obrigado m e s m o ... !!! .

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  24. Excelente artigo! Eu gosto muito de como você coloca as referências. Na minha opinião todos os blogs e sites de saúde e nutrição deveriam fazer o mesmo, isso dá muito mais credibilidade.

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  25. Artigo muito bom. Científico e de fácil compreensão, bem esclarecedor .... você é D+ cara!!!

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  26. Oi Joao gabriel, o q acha do uso de bicarbonato de sódio em pacientes com problemas renais? Pesquisa mostram q pessoas fazendo dialise conseguiram através dele recuperar suas funções renais.
    https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2736774/

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    1. Olá, Gustavo.

      Sinceramente nunca li muito sobre o assunto. Mas os resultados desse estudo que você linkou parecem realmente interessantes, até porque os benefícios parecem ser clinicamente significativos, e não apenas estatisticamente significativos.

      Dando uma breve lida nesse tema, parece que alguns outros estudos também já mostraram resultados positivos. Pelo que eu vi, o pessoal da área de nefrologia estaria à espera de ensaios clínicos maiores (em número de participantes) para ver se a eficácia é realmente relevante. Os estudos preliminares indicam que sim.

      E mais à frente espera-se saber se essa estratégia poderia ser interessante para pacientes em estágios mais iniciais de doença renal, assim como em pessoas com níveis não tão baixos de bicarbonato no sangue.

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  27. Existe um burburinho tremendo na internet dizendo que a nossa água faz mal por ser muito ácida. O ideal seria uma água mais alcalina. Também se fala dos malefícios do fluor adicionado a água. Isso procede?

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    1. Olá, Leonardo.

      Podemos dizer que são assuntos em aberto. A princípio, essas afirmações não estão corretas porque não existem evidências que fundamentam, e nem mesmo sugerem, que elas possam ser verdades.

      Enquanto não houver estudos, não podemos afirmar. Por outro lado, no caso da acidez da água, as evidências que apresentei nessa série de textos sobre o pH talvez sejam suficientes para dizer o contrário. Se uma alimentação "ácida" não causa prejuízos (e poderia até trazer benefícios), porque a água mais "ácida" faria mal?

      No caso do flúor é uma simples falta de evidência mesmo. Muita gente falando muita coisa sem realmente existir base pra isso.

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