terça-feira, 24 de novembro de 2015

Goji berry: sub ou supervalorizada?




Adorada por muitos, desprezada por outros. Essa é a goji berry.

Desde que o seu consumo virou moda, passamos a ouvir todo tipo de comentário sobre a goji berry. O principal deles é a alegação de que ela seria um excelente alimento para quem quer emagrecer. E não poderia ser diferente, já que esse é o objetivo de quase todo mundo que busca informações sobre alimentação e nutrição — então é normal esperar que esse seja um dos maiores apelos relacionados à goji berry ou a qualquer outra alimento que ganha popularidade.

Ela obviamente começou como mais um alimento milagroso, com o status de "superalimento", seguindo os passos de vários antecessores, como chá verde, linhaça, chia, açaí e quinoa. Pouco tempo depois vieram os “justiceiros” para desmistificar as alegações sobre os benefícios da goji berry, afirmando que ela não é nutricionalmente superior aos mais diversos alimentos que já consumimos habitualmente.

Mas quem está certo? Faço essa pergunta porque, se olharmos com o mínimo de cuidado, é fácil perceber que na maioria das vezes os argumentos, em ambos os lados da história, não são devidamente embasados (independentemente de serem, mesmo "sem querer", verdadeiros ou não).


Os argumentos

Como forma de justificar o consumo de goji berry, aqueles que a defendem normalmente exaltam sua elevada concentração de nutrientes ou o fato de ela ser uma fruta culturalmente ligada à medicina chinesa e a outras tradições do leste asiático. De forma genérica, nutriente por nutriente, vários alimentos poderiam ser classificados como “superalimentos”, tendo em vista que é relativamente fácil encontrar um nutriente específico (ou até mais de um) que se destaca em cada alimento. Além disso, por mais que a medicina chinesa tradicional recomende o consumo de goji berry, isso por si só não é suficiente para confirmar que ela traz benefícios à saúde.

Do outro lado, aqueles que não consideram a goji berry como um alimento milagroso dizem que a fruta não apresenta qualquer vantagem nutricional verdadeiramente única que não poderia ser suprida por outros alimentos e, principalmente, por uma alimentação de qualidade. Isso é verdade. Só que, se pensarmos bem, é uma verdade que poderia ser dita sobre qualquer outro alimento. E é por isso que essa simplificação limita a nossa interpretação da importância que alguns alimentos ou grupos alimentares podem ter sobre a saúde.

Quando avaliamos parâmetros específicos de nutrição e saúde, se não pudermos considerar nenhum alimento como mais benéfico que outro(s), jamais poderíamos falar que o alimento X, ou o padrão alimentar Y, são capazes de reduzir o risco de desenvolvimento de uma doença Z.

Temos uma série de estudos mostrando que a simples adição de alguns alimentos à dieta é capaz de proporcionar efeitos positivos em diversos marcadores de saúde. Por exemplo, substituir carboidratos complexos por 84 g/dia de amêndoas, em uma dieta de restrição calórica (mantendo as mesmas quantidades de calorias e proteínas) que durou 24 semanas, levou a reduções mais significativas no peso, IMC, circunferência da cintura, massa gorda e pressão arterial sistólica em indivíduos com sobrepeso [1]. Em outro estudo, a ingestão de uma unidade de ovo por dia, em vez de mingau de aveia, durante 5 semanas, melhorou marcadores inflamatórios em pacientes com diabetes tipo 2 [2]. Mais um estudo com diabéticos: o consumo de 59 a 128 g/dia de pistache por 4 semanas (representando 20% das calorias totais) foi mais benéfico para melhorar o perfil lipídico (razão CT/HDLc e triglicerídeos) e reduzir a glicação (frutosamina) do que lanchinhos ‘fat-free’ [3]. Outra demonstração: em indivíduos saudáveis, a ingestão de vinagre (18, 23 e 28 g) foi capaz de atenuar o aumento na glicemia e insulinemia induzido pela ingestão de pão (quanto maior a dose de vinagre, melhor foi a resposta); de que quebra, cada aumento na quantidade ingerida de vinagre proporcionou maior sensação de saciedade nos participantes [4].

Esses estudos mostram que alguns alimentos podem, de fato, conferir interessantes benefícios à saúde. E se isso é verdade para os exemplos citados, também pode ser verdade para a goji berry.

De qualquer maneira, para que a "defesa" ou o “ataque” à goji berry sejam justos, é imprescindível que os argumentos utilizados sejam válidos e devidamente embasados.


O consumo de goji berry realmente traz benefícios?

Dezenas de estudos in vitro e com animais já avaliaram o efeito da goji berry nas mais diversas condições clínicas e patológicas [5,6]. Nesses casos, assim como para diversos outros alimentos e compostos testados em estudos com animais e células, os resultados são extremamente promissores. Já foi demonstrado que a goji berry, principalmente a partir da sua fração de polissacarídeos, é capaz de exercer efeitos antioxidantes, imunomoduladores, antitumorais, neuroprotetores e antidiabéticos [5,6,7].

Mas como não posso deixar de enfatizar (sempre!), a história só fica completa mesmo com estudos em humanos.

E ao consultarmos a literatura científica, rapidamente percebemos que já se estuda a goji berry há algum tempo.

Em 2009, pesquisadores dos Estados Unidos verificaram, em um ensaio clínico randomizado, que uma dose diária de 120 mL de um suco padronizado de goji berry (equivalente a pelo menos 150 g da fruta fresca), comparada a uma bebida placebo com características sensoriais iguais), melhorou parâmetros imunológicos como contagem total de linfócitos, IL-2 e IgG em participantes idosos, após 30 dias de suplementação [8]. Além disso, os indivíduos que ingeriram o suco de goji berry também apresentaram maior sensação de bem-estar, com melhorias na fadiga e no sono, e uma tendência de aumento na capacidade de foco e de melhora na memória de curto prazo. Nenhum efeito adverso foi observado.

O efeito imunomodulador da goji berry foi novamente avaliado em 2012 [9]. Nesse ensaio clínico randomizado duplo-cego, 150 chineses idosos foram divididos em dois grupos: placebo ou intervenção. O pessoal do grupo intervenção consumiu, durante 3 meses, uma formulação láctea à base de goji berry, leite desnatado e maltodextrina. O grupo placebo recebeu uma formulação bastante semelhante, com a goji berry substituída por sacarose (açúcar comum). A duas bebidas apresentavam as mesmas características visuais, de sabor, de aroma e de textura. Ao final do estudo, foi verificado que os idosos que receberam a suplementação de goji berry responderam de forma mais positiva a vacinações contra o vírus influenza, aumentando a produção de IgG específica para o antígeno. O interessante desse estudo é que ele mostrou, numa situação real, que a suplementação com goji berry pode influenciar de forma positiva a resposta imunológica de pessoas idosos — uma população que, muitas vezes, possui um sistema imune comprometido.

Além dos polissacarídeos, a goji berry possui uma quantidade interessante de carotenoides, especialmente zeaxantina [6]. Tendo em vista que a suplementação de carotenoides pode auxiliar no tratamento de alguns problema oculares, como a degeneração macular [10,11,12,13], a goji berry também já foi estudada nesse contexto. Os mesmos indivíduos do estudo anterior [9], nas mesmas condições, foram testados para ver se a suplementação da bebida láctea de goji berry seria capaz de influenciar positivamente a mácula, os níveis sanguíneos de zeaxantina e a capacidade antioxidante dos idosos [14]. Após 3 meses de intervenção, os níveis de zeaxantina e a capacidade antioxidante dos idosos aumentaram em 26% e 57%, respectivamente, após a suplementação com goji berry, enquanto que nenhuma alteração foi observada no grupo placebo. Porém, o resultado mais interessante foi que o grupo que ingeriu o placebo apresentou alterações negativas na mácula, enquanto que o grupo que consumiu goji berry, não. Assim, é possível que a ingestão frequente de goji berry possa auxiliar a atenuar, ou até mesmo prevenir, a degeneração macular associada à idade.

Vale ressaltar que a capacidade da goji berry em aumentar os níveis de marcadores antioxidantes [15] e os níveis de zeaxantina já havia sido demonstrada anos antes [16,17], confirmando que esse carotenoide é capaz de ser absorvido e também de exercer efeitos na saúde humana por meio da ingestão dessa fruta; a homogeneização de goji berry em leite quente aumenta ainda mais a biodisponibilidade de zeaxantina [18].

Mas os benefícios da goji berry podem ir além de tratar ou prevenir doenças. O seu consumo pode ser vantajoso no sentido de promover saúde. Uma meta-análise de quatro ensaios clínicos randomizados, de 2013, avaliou o efeito da ingestão de goji berry em diversos parâmetros de bem-estar e saúde geral [19]. Foi verificado que, comparado a intervenções placebo, o consumo de goji berry mostrou melhorias nos seguintes parâmetros: fraqueza, estresse, acuidade mental, qualidade do sono, falta de ar, fadiga e sensação geral de bem-estar.

E, por fim, a pergunta quer não quer calar: comer goji berry ajuda a emagrecer?  Um estudo de 2011 buscou esclarecer essa dúvida [20]. Em um breve período de duas semanas, a ingestão de suco de goji berry foi capaz de reduzir em 5,5 cm a circunferência da cintura dos participantes desse grupo, enquanto que aqueles que consumiram a bebida placebo não apresentaram alterações nesse parâmetro.




Infelizmente, outras medidas de composição corporal, como peso, percentual de gordura e massa magra, não foram relatadas. De qualquer maneira, os pesquisadores verificaram, ainda, que a ingestão do suco de goji berry levou a um aumento na taxa metabólica de repouso e no gasto energético pós-prandial — resultado este que ajudaria a explicar a redução na circunferência da cintura que foi observada.


Considerações finais

Vale ressaltar que, com exceção de um estudo [16], todos os ensaios clínicos que mostraram benefícios, assim como os estudos incluídos na meta-análise, receberam apoio financeiro de empresas que comercializam produtos fabricados utilizando a goji berry como matéria-prima.

Isso não necessariamente significa que os resultados positivos observados não são verdadeiros — como já mencionei aqui. Porém, é inegável que, de fato, existe um enorme conflito de interesses por trás dos estudos que envolvem a goji berry. Por isso, o ideal é que exerçamos nosso ceticismo e tenhamos uma visão crítica antes de aceitar essas evidências como “definitivas” sobre os benefícios trazidos pela por essa fruta.

Existem evidências suficientes para mostrar que, em humanos, a goji berry pode trazer todos os benefícios alegados por quem a defende? Certamente não. Mas os estudos que já foram feitos apresentaram resultados interessantes? Sim, com certeza — principalmente, na minha opinião, a redução de mais de 5 cm da circunferência da cintura em apenas duas semanas, o que demonstra um potencial considerável em favorecer o emagrecimento.

Sendo assim, não custa nada testar na prática como o consumo de goji berry influencia a sua saúde (até custa, porque não é um alimento barato; mas, se os resultados forem bons, é um custo que pode valer a pena). Como já mencionei várias vezes, nutrição é sinônimo de experimentação


***
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Referências

1. Wien MA, et al. Almonds vs complex carbohydrates in a weight reduction program. Int J Obes Relat Metab Disord. 2003;27(11):1365-72.

2. Ballesteros MN, et al. One egg per day improves inflammation when compared to an oatmeal-based breakfast without increasing other cardiometabolic risk factors in diabetic patients. Nutrients. 2015;7(5):3449-63.

3. Sauder KA, et al. Effects of pistachios on the lipid/lipoprotein profile, glycemic control, inflammation, and endothelial function in type 2 diabetes: a randomized trial. Metabolism. 2015;64(11):1521-9.

4. Ostman E, et al. Vinegar supplementation lowers glucose and insulin responses and increases satiety after a bread meal in healthy subjects. Eur J Clin Nutr. 2005;59(9):983-8.

5. Chang RC, So KF. Use of anti-aging herbal medicine, Lycium barbarum, against aging-associated diseases. What do we know so far? Cell Mol Neurobiol. 2008;28(5):643-52.

6. Potterat O. Goji (Lycium barbarum and L. chinense): Phytochemistry, pharmacology and safety in the perspective of traditional uses and recent popularity. Planta Med. 2010;76(1):7-19

7. Jin M, et al. Biological activities and potential health benefit effects of polysaccharides isolated from Lycium barbarum L. Int J Biol Macromol. 2013;54:16-23.

8. Amagase H, et al. Immunomodulatory effects of a standardized Lycium barbarum fruit juice in Chinese older healthy human subjects. J Med Food. 2009;12(5):1159-65.

9. Vidal K, et al. Immunomodulatory effects of dietary supplementation with a milk-based wolfberry formulation in healthy elderly: a randomized, double-blind, placebo-controlled trial. Rejuvenation Res. 2012;15(1):89-97.

10. Sabour-Pickett S, et al. A review of the evidence germane to the putative protective role of the macular carotenoids for age-related macular degeneration. Mol Nutr Food Res. 2012;56(2):270-86.

11. Liu R, et al. Lutein and zeaxanthin supplementation and association with visual function in age-related macular degeneration. Invest Ophthalmol Vis Sci. 2014;56(1):252-8.

12. Huang YM, et al. Changes following supplementation with lutein and zeaxanthin in retinal function in eyes with early age-related macular degeneration: a randomised, double-blind, placebo-controlled trial. Br J Ophthalmol. 2015;99(3):371-5.

13. Age-Related Eye Disease Study 2 Research Group. Lutein + zeaxanthin and omega-3 fatty acids for age-related macular degeneration: the Age-Related Eye Disease Study 2 (AREDS2) randomized clinical trial. JAMA. 2013;309(19):2005-15.

14. Bucheli P, et al. Goji berry effects on macular characteristics and plasma antioxidant levels. Optom Vis Sci. 2011;88(2):257-62.

15. Amagase H, et al. Lycium barbarum (goji) juice improves in vivo antioxidant biomarkers in serum of healthy adults. Nutr Res. 2009;29(1):19-25.

16. Breithaupt DE, et al. Comparison of plasma responses in human subjects after the ingestion of 3R,3R'-zeaxanthin dipalmitate from wolfberry (Lycium barbarum) and non-esterified 3R,3R'-zeaxanthin using chiral high-performance liquid chromatography. Br J Nutr. 2004;91(5):707-13.

17. Cheng CY, et al. Fasting plasma zeaxanthin response to Fructus barbarum L. (wolfberry; Kei Tze) in a food-based human supplementation trial. Br J Nutr. 2005;93(1):123-30.

18. Benzie IF, et al. Enhanced bioavailability of zeaxanthin in a milk-based formulation of wolfberry (Gou Qi Zi; Fructus barbarum L.). Br J Nutr. 2006;96(1):154-60.

19. Paul Hsu CH, et al. A meta-analysis of clinical improvements of general well-being by a standardized Lycium barbarum. J Med Food. 2012;15(11):1006-14.

20. Amagase H, Nance DM. Lycium barbarum increases caloric expenditure and decreases waist circumference in healthy overweight men and women: pilot study. J Am Coll Nutr. 2011;30(5):304-9.



terça-feira, 10 de novembro de 2015

Resveratrol: doce ilusão ou amarga realidade?





Você  provavelmente já ouviu falar dos benefícios do vinho, certo? O resveratrol é, teoricamente, a principal molécula presente no vinho (e na uva) que supostamente confere os benefícios à saúde associados ao consumo dessa bebida.

Já há certo tempo, o resveratrol é uma das substâncias mais queridas na Nutrição. E uma das mais estudadas. São inúmeros trabalhos científicos que se propuseram, e ainda se propõem, a investigar os efeitos dessa molécula sobre a saúde. Consequentemente, toda hora vemos também matérias e manchetes na mídia abordando o assunto.

Mas o que exatamente é o resveratrol? Quais os seus possíveis benefícios à saúde? Em humanos, a ingestão de resveratrol é realmente efetiva ou associada à melhora na saúde?


O que é o resveratrol?

O resveratrol é um polifenol, assim como diversos outros compostos que são consideradas como “milagrosas” ou “funcionais”. Como o nome diz, polifenol é qualquer substância que possui mais de uma estrutura fenólica em sua molécula. Mais especificamente, o resveratrol pertence à classe dos estilbenos, apresentando dois anéis fenólicos.




O resveratrol caracteriza-se como uma substância de ocorrência natural em vários vegetais, tais como uva, amora, mirtilo (blueberry) e amendoim. Entretanto, vale ressaltar que, ao contrário do que muita gente pode pensar, a uva — e, também, o vinho — não é a maior fonte de resveratrol na natureza. Esse prêmio vai para a planta Polygonum cuspidatum, tradicionalmente utilizada nas medicinas chinesa e japonesa [1].

Assim como no caso de outros polifenóis e de diversas moléculas que apresentam atividade anti-inflamatória ou antioxidante, o resveratrol tem sua produção aumentada nas plantas quando estas se encontram em condições de estresse, como a exposição a micro-organismos (como fungos) e a incidência de radiação ultravioleta [2]. A maior produção de resveratrol — e de polifenóis — em resposta a situações estressantes é um mecanismo natural de defesa das plantas.

As três principais fontes de resveratrol na alimentação, considerando nossos hábitos alimentares (e não apenas a concentração total dessa substância) são [3]:

1) Uva (0,16 a 3,54 µg/g)*
2) Suco de uva (0,50 mg/L)
3) Vinho tinto (0,10 a 14,3 mg/L)**


*A concentração de resveratrol das uvas escuras é similar à das uvas claras.

**O vinho tinto apresenta mais resveratrol que o vinho branco. Isso acontece porque, durante a produção do vinho tinto, o processo de fermentação ocorre na presença da casca da uva. A casca da uva é onde o resveratrol encontra-se em maior quantidade.


Resveratrol: a grande panaceia?

O clamor pelo resveratrol consolidou-se em 2006. Até aquele ano, já havia sido demonstrado que a administração de resveratrol a fungos, parasitas e pequenos insetos era capaz de aumentar a longevidade nessas espécies. Entretanto, ainda não haviam sido apresentados dados semelhantes em mamíferos.

Em um estudo com camundongos, Baur e colaboradores demonstraram, pela primeira vez, que o resveratrol era capaz de melhorar diversos parâmetros de saúde e, ainda por cima, aumentar a longevidade em animais mamíferos que consumiam uma dieta hipercalórica [4]. Não à toa, o estudo foi publicado na prestigiosa revista Nature. Nesse trabalho, os pesquisadores dividiram os camundongos em três grupos: 1) dieta controle; 2) dieta hipercalórica; e 3) dieta hipercalórica + resveratrol.

Veja como foi o ganho de peso após 60 semanas:




Fica evidente que os animais que consumiram a dieta hipercalórica (quadrados vermelhos e losangos azuis) ganharam muito mais peso do que aqueles que consumiram a dieta controle (triângulos pretos), mesmo quando houve suplementação de resveratrol. A ingestão de resveratrol atenuou de forma bastante modesta o ganho de peso induzido pela dieta hipercalórica (losangos azuis).

Entretanto, observe o que aconteceu com a sobrevivência dos animais:




A longevidade dos camundongos que receberam dieta hipercalórica + resveratrol foi praticamente igual à dos animais que consumiram a dieta controle, e muito superior à dos animais que receberam apenas a dieta hipercalórica (sem resveratrol).

E os níveis de insulina:




Mais uma vez, a suplementação com o resveratrol reduziu de forma significativa a concentração sanguínea de insulina nos camundongos que ingeriram a dieta hipercalórica, comparados aos animais que consumiram a dieta hipercalórica sem a suplementação. Apesar de ainda superiores, os níveis de insulina dos camundongos com dieta hipercalórica + resveratrol ficaram mais próximos aos dos animais controle do que aos dos animais que receberam apenas a dieta hipercalórica. Nesse caso, menores níveis de insulina indicam menor resistência à insulina, o que é extremamente positivo, uma vez que o desenvolvimento de diversas doenças crônicas — principalmente diabetes tipo 2 e síndrome metabólica — está diretamente relacionado à presença do estado de resistência à insulina.

E veja o que aconteceu com o fígado dos animais:




Apesar de morfologicamente estar mais “danificado”, o fígado dos camundongos que receberam dieta hipercalórica + resveratrol permaneceu do tamanho do fígado dos animais controle, enquanto que o fígado dos camundongos que receberam apenas a dieta hipercalórica mais do que dobrou de tamanho. O tamanho do fígado é um parâmetro indicativo de esteatose hepática (gordura no fígado). De fato, na imagem histológica das células do fígado, nota-se claramente a maior presença de gordura no órgão dos camundongos que ingeriram apenas a dieta hipercalórica, enquanto que os animais que receberam dieta hipercalórica + resveratrol apresentam morfologia celular comparável à dos animais controle.

Resumindo: preveniu um pouco do ganho de peso; melhorou a resistência à insulina; preveniu o acúmulo de gordura no fígado; e, acima de tudo, aumentou a longevidade. Além disso, esse estudo apresentou outros resultados bem interessantes, mas os que foram apresentados já são suficientes para mostrar porque, após esse estudo, tanto se falou sobre o resveratrol. 

O resultado mais comentado foi justamente esse último: aumento da longevidade. E isso se deu justamente porque uma das coisas que as pessoas mais almejam hoje em dia é viver cada vez mais. Por isso, surgiram diversas notícias no seguinte tom: “Descoberta a solução para se viver mais!”.


(Obs: Vale ressaltar que, até hoje, o único tipo de intervenção que é capaz de aumentar a longevidade, em praticamente qualquer espécie, é a restrição calórica. Existem vários tipos de restrição calórica, entre elas o jejum intermitente. Entretanto, não há evidências minimamente concretas de que a longevidade, mesmo que através da restrição calórica, possa ser aumentada em humanos).

Dos resultados do estudo acima em diante, o resveratrol passou a ser ainda mais estudado, principalmente devido à capacidade antioxidante e anti-inflamatória que essa molécula — assim como diversos outros polifenóis — possui. Após mais alguns anos de pesquisa, foram identificadas diversas patologias e condições clínicas nas quais o resveratrol poderia atuar:

1) Doenças neurológicas, como o Alzheimer [5]
2) Doenças cardiovasculares [6]
3) Câncer [7]
4) Diabetes [8]
5) Obesidade [9]
6) Esteatose hepática [10]
7) Doenças oculares [11]
8) Doença renal crônica [12]
9) Insuficiência cardíaca [13]
10) Osteoporose [14]

E aqui algumas das moléculas que supostamente são moduladas pelo resveratrol, indicando seus possíveis efeitos anti-inflamatório e antioxidante:




Apesar de haver a hipótese de que o resveratrol pode exercer efeitos positivos nas patologias citadas acima, é importante ressaltar que praticamente todas as evidências são derivadas de estudos com animais ou células. Assim, é preciso ir além dos mecanismos, moléculas e vias bioquímicas influenciadas pelo resveratrol. 

Diante disso, é importante perguntar: quais são os efeitos da ingestão de resveratrol em humanos?


Resveratrol em humanos: Hipertensão

Devido às atividades anti-inflamatória e antioxidante observadas para o resveratrol nos estudos em células e em animais, o principal alvo de pesquisa dessa molécula em humanos são as patologias crônicas: diabetes, obesidade, hipertensão, câncer, doenças cardiovasculares etc.

No que diz respeito à hipertensão, em 2015 foi publicado um estudo do tipo meta-análise que avaliou o efeito da suplementação de resveratrol sobre os níveis de pressão arterial sistólica (PAS) e pressão arterial diastólica (PAD) [15]. Os estudos incluídos na meta-análise foram variados no que diz respeito, principalmente, à “saúde” dos indivíduos participantes, ou seja, alguns estudos foram realizados com pessoas “saudáveis” e outros com pessoas com complicações metabólicas, como diabetes tipo 2.

Os resultados indicam que, de maneira geral, o resveratrol não apresentou efeitos significativos sobre a pressão arterial, exceto quando quantidades acima de 150 mg/dia foram utilizadas. Nessa dose, o resveratrol foi capaz de reduzir apenas a PAS, mas não a PAD, o que torna questionável a relevância clínica de tal intervenção.

Isso acontece porque os estudos que demonstram efeitos positivos da redução na pressão arterial sobre a diminuição do risco de doenças cardiovasculares sempre contam com redução tanto na PAS como na PAD [16]. Por outro lado, a redução da PAS com o resveratrol, que foi de aproximadamente 10 mmHg em média, é praticamente a mesma apresentada para a média dos medicamentos utilizados para o controle da hipertensão arterial — e em muitos casos é até superior à redução na PAS conferida por essas drogas [16,17].


(Obs: Apesar de haver redução no risco de desenvolvimento de algumas doenças cardiovasculares com o uso de medicamentos que diminuem a pressão (anti-hipertensivos), não é possível afirmar com 100% de certeza que o efeito é decorrente — pelo menos unicamente — da diminuição da pressão em si. Pode parecer contraintuitivo pensar dessa maneira, mas talvez não completamente. Digo isso por causa das estatinas, medicamentos utilizados para diminuir o colesterol no sangue — principalmente o "colesterol ruim". As estatinas diminuem o colesterol? Sim. As estatinas reduzem o risco cardiovascular? Em algumas populações, sim. As estatinas reduzem o risco cardiovascular porque diminuem o colesterol no sangue? Provavelmente não, mas sim por outro mecanismo. Mas esse é um assunto para outro texto).


Como curiosidade, recentemente foi demonstrado que o consumo de nitrato naturalmente presente na beterraba (250 mL/dia de suco de beterraba) é capaz de reduzir em 8 mmHg a PAS e em 3 mmHg a PAD [18], resultado também igual ou superior ao observado para a maioria das drogas atualmente utilizadas para o tratamento da hipertensão [17] (com a vantagem de não apresentar efeitos adversos característicos de medicamentos).

Vale ressaltar que, na meta-análise [15], os estudos com resveratrol que encontraram resultados positivos na redução da PAS foram de curta duração e, ainda, contaram com um número pequeno de participantes. Além disso, foram apenas 3 estudos que demonstraram tal efeito, os quais apresentaram uma inconsistência (I2, um tipo de medida aferida pelos estudos de meta-análise para avaliar o quanto de variação existe dentro do próprio estudo e quando se comparam estudos diferentes com o mesmo desfecho) muito grande entre eles, enfraquecendo o peso que esse tipo de evidência possui sobre a real efetividade do resveratrol sobre a pressão arterial. 


Resveratrol em humanos: Doenças cardiovasculares

Para as doenças cardiovasculares, como infarto ou derrame, ainda estamos longe de ter evidências mais diretas sobre a influência do consumo de resveratrol — e, na verdade, de praticamente qualquer alimento ou nutriente isolado — sobre desfechos mais concretos, como eventos ou morte por doenças cardiovasculares. Por esse motivo, temos que ficar apenas com os tradicionais fatores de risco para essas doenças, como colesterol total, LDLc, HDLc, triglicerídeos.

Nesse caso, os dados são muito mais concretos. A última meta-análise a avaliar esse tópico, publicada no final de 2013, não encontrou qualquer efeito da suplementação de resveratrol sobre os marcadores de risco cardiovascular [19]. Diferentemente da meta-análise realizada para pressão arterial, os testes de sensibilidade sugerem que a ausência de efeitos parece ser um resultado consistentemente encontrado em todos os  ensaios clínicos avaliados nessa meta-análise de marcadores de risco cardiovascular, independente da dose de resveratrol, da duração do tratamento ou do risco cardiovascular basal apresentado pelas populações estudadas. De qualquer maneira, assim como os autores sugerem, estudos com um número maior de indivíduos e com um tempo maior de acompanhamento seriam necessários para se chegar a resultados ainda mais conclusivos sobre o efeito do resveratrol sobre os fatores de risco cardiovascular aferidos.


Resveratrol em humanos: Diabetes e controle glicêmico

Quando falamos de obesidade e diabetes, os principais marcadores avaliados são aqueles que dizem respeito ao metabolismo da glicose, como glicemia de jejum, insulina e hemoglobina glicada (HbA1c, um marcador capaz de avaliar o nível médio de glicose no sangue nos últimos 90-120 dias, aproximadamente). Nesse caso, temos dois estudos de meta-análise recentes que avaliaram o efeito da suplementação de resveratrol sobre esses parâmetros.

A primeira meta-análise, publicada em 2014, incluiu todos os estudos disponíveis com indivíduos “saudáveis” e também pacientes com diabetes tipo 2 [20]. Verificou-se que, mesmo quando qualquer um dos marcadores avaliados encontrava-se acima da média, o resveratrol não teve qualquer efeito nos indivíduos “saudáveis”. Por outro lado, nos pacientes diabéticos a suplementação com resveratrol apresentou redução significativamente estatística nos níveis de glicemia, insulina e HbA1c.

A segunda meta-análise incluiu estudos apenas em pacientes com diabetes tipo 2 [21]. Por ser um trabalho mais recente (e com uma metodologia de busca aparentemente mais consistente), resultou em um número maior de estudos incluídos na análise. Diferentemente do encontrado na meta-análise anterior, a suplementação com resveratrol apresentou redução estatisticamente significativa apenas nos níveis de HbA1c, mas não na glicose ou insulina sanguíneas.

Porém, assim como para a redução nos níveis de pressão arterial sistólica observada mencionada acima, é necessário avaliarmos até que ponto tais modificações são clinicamente importantes, ou seja, se são capazes de conferir reais benefícios à saúde dos indivíduos. No caso da primeira meta-análise [20], as reduções de 0,3% na HbA1c e de 1,5 µU/mL na insulina, na prática, são muito pequenas para um paciente diabético, mesmo que a diminuição nesses valores tenha sido estatisticamente significativa. Por outro lado, a redução nos níveis de glicose sanguínea já foi mais representativa, atingindo um valor médio de 10 mg/dL — nada de outro mundo, mas é sim um redução interessante.

No caso da segunda meta-análise [21], apesar de ter havido diferença estatística na redução da hemoglobina glicada (HbA1c), um importante marcador do comportamento dos níveis de glicose nos últimos meses, o benefício clínico foi muito pequeno: redução média de apenas 0,4% (uma das formas de expressar os níveis de HbA1c é por meio de valor percentual). Assim, se pegarmos um paciente diabético com níveis de HbA1c de 8,0% ou mais — extremamente comum em indivíduos com diabetes tipo 2 —, uma redução de 0,4% não é algo tão relevante.

Vale ressaltar que o modesto benefício do resveratrol sobre os níveis de glicemia podem ser explicados pelo principal mecanismo de ação dessa molécula. Já foi extensivamente demonstrado em animais e células que o resveratrol parece realmente ser capaz de ativar proteínas intracelulares que controlam o metabolismo, o gasto calórico e a utilização de substratos energéticos (como a glicose) pelas nossas células, tais como a SIRT1 e a AMPK [22]. O mais interessante é que tais efeitos também já foram demonstrados em humanos [23], indicando que o resveratrol poderia vir a exercer efeitos benéficos em algumas condições patológicas.





Resveratrol em humanos: Inflamação

Hoje sabemos que praticamente todas as doenças crônicas, do diabetes ao Alzheimer, da aterosclerose à doença renal crônica, são diretamente influenciadas pelo estado inflamatório do organismo. É muito difícil dizer se a inflamação leva ao desenvolvimento dessas doenças ou, ao contrário, se são essas doenças que realmente aumentam a inflamação no corpo. Na verdade, é muito provável que as duas coisas aconteçam praticamente de forma simultânea e “sinérgica”, como uma retroalimentação. Assim, devido à importância que a inflamação possui nessas doenças, os marcadores pró-inflamatórios e anti-inflamatórios são extensivamente estudados atualmente.

No contexto da inflamação, os resultados não poderiam ser mais contraditórios. Um recente artigo de revisão tabulou todos os estudos do tipo ensaio clínico que avaliaram, de forma direta ou indireta, o efeito do resveratrol sobre marcadores de inflamação e chegaram à seguinte conclusão: os resultados são bastante inconsistentes [24]. Não apenas os resultados são controversos — com redução nos marcadores inflamatórios em alguns estudos e efeitos nulos em outros —, mas também as doses utilizadas, o número de indivíduos participantes e o tempo de tratamento são completamente diferentes entre os estudos. Só para ilustrar, as doses de resveratrol utilizadas variaram de 10 até 3000 mg.

Enquanto existem estudos em que doses mais baixas (40 mg) foram capazes de reduzir marcadores inflamatórios, há também estudos em que doses extremamente elevadas (3000 mg) foram 100% ineficazes [24]. Por outro lado, o contrário também já foi observado: doses relativamente pequenas de resveratrol não mostrando efeitos, assim como doses altas levando a resultados positivos.

De qualquer maneira, vale ressaltar que, assim como para a pressão arterial e para o controle da glicose no sangue, os poucos resultados benéficos observados para os marcadores inflamatórios a partir da suplementação de resveratrol são bastante modestos na maioria dos estudos.


Efeitos adversos da ingestão de resveratrol

Poucos são os efeitos adversos provenientes da ingestão de resveratrol, e eles normalmente surgem apenas quando doses muito elevadas são ingeridas (quantidades que não virtualmente impossíveis de serem obtidas por meio da alimentação). Os mais comuns parecem ser os efeitos gastrointestinais, como dor abdominal, diarreia e náusea, que se apresentam quando doses a partir de 2500 mg/dia são ingeridas durante vários dias consecutivos [25]. Vale ressaltar que alguns estudos com humanos já utilizaram doses iguais ou superiores a 2500 mg, indicando que possíveis efeitos benéficos podem vir acompanhados, em alguns casos, de efeitos adversos.

Outros possíveis efeitos adversos: aumento nos níveis de bilirrubina, descoloração da pele, cistite, acne, flatulência, dor no peito, tontura e xerostomia [25]. Além disso, doses a partir de 5000 mg podem levar ao desenvolvimento de problemas nos rins, que em alguns casos são tão sérios que podem levar à falência desses órgãos [26].


Considerações finais

Apesar dos estudos pré-clínicos terem sido muito promissores, devido aos excelentes resultados obtidos a partir da ação do resveratrol em animais e células, [in]felizmente o efeito desse composto em humanos é, na melhor das hipóteses, muito pequeno e inconsistente.

Infelizmente porque, no final, o objetivo da ciência e dos profissionais de saúde é ter o máximo de opções para que pacientes que precisam de tratamento possam ter desfechos mais favoráveis, melhorando ao máximo suas condições de saúde. De forma semelhante, é sempre interessante ter em mãos estratégias que sejam efetivas também no sentido de prevenir doenças, para que pessoas saudáveis possam se manter assim pelo maior tempo possível.

Felizmente, por outro lado, o “fracasso” do resveratrol é, na minha opinião, algo positivo, uma vez que isso pode levar pesquisadores, profissionais e a população a pararem de acreditar nas “pílulas mágicas”. Não existe — e provavelmente nunca existirá — qualquer composto derivado de alimentos capaz de ser, isoladamente, genuinamente efetivo em tratar ou prevenir doenças crônicas. O "segredo" é comer comida de verdade e ser fisicamente ativo, além de ter outros hábitos como sono e controle do estresse devidamente cuidados.

É importante mencionar, novamente, que até os resultados positivos foram bastante modestos — além de terem sido demonstrados apenas em um número muito reduzido de estudos, todos eles de curta duração e com poucos participantes. Os efeitos possivelmente benéficos do resveratrol, de acordo com a literatura, seriam na pressão arterial e no controle glicêmico  — nesse último caso, especificamente para pacientes com diabetes tipo 2.

Ainda, a maior parte dos estudos até hoje falhou em mostrar qualquer tipo de efeito nas variáveis discutidas acima. Não à toa, publicações recentes de 2014 e 2015, como editoriais científicos e estudos de revisão, também questionam a relevância da suplementação de resveratrol sobre a saúde humana [27,28,29].

E mais um detalhe: não espere que a uva ou o vinho tinto confiram benefícios devido à presença de resveratrol em suas composições. Baseado nos dados apresentados acima, seria necessário consumir todos os dias mais de 10 kg de uva, mais de 10 litros de suco de uva ou mais de 2 ou 3 litros de vinho tinto — considerando as concentrações máximas de resveratrol que podem ser encontradas nesses produtos — para se atingir as doses mais baixas de resveratrol normalmente ingeridas por meio dos suplementos utilizados nos estudos. Por outro lado, é claro que a uva e o suco contêm uma infinidade de outros compostos que poderiam, por exemplo, atuar em sinergia com o resveratrol e conferir benefícios à saúde. Assim, é possível que quantidades bem menores de uva, por exemplo, tragam efeitos positivos? Claro que sim!

De qualquer maneira, são mais de duas décadas de pesquisas com o resveratrol, além de milhões (bilhões?) de dólares gastos. Por isso, é importante repensar se o dinheiro destinado às pesquisas — nessa e em diversas outras áreas — está de fato sendo bem utilizado, de forma a gerar reais benefícios à nossa população.

Além disso, a reflexão também fica para todos nós: vale a pena investir tempo e dinheiro com suplementos “milagrosos”? Se aparentemente não vale nem para o resveratrol — uma das substâncias mais bem estudadas, inclusive em humanos —, o que dizer da maioria dos outros suplementos com supostos efeitos benéficos?!


(Obs: a partir de uma pesquisa abrangente no PubMed, uma base de dados de artigos científicos, no período em que esse texto foi escrito, nenhum estudo buscou testar primariamente o efeito da suplementação de resveratrol sobre a perda de peso ou de gordura corporal em humanos. Por isso, perda de peso e de gordura corporal não foram discutidas aqui).


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Referências

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4. Baur JA, et al. Resveratrol improves health and survival of mice on a high-calorie diet. Nature. 2006;444(7117):337-42.

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