terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Quando a dieta low-carb não é melhor para o emagrecimento




Considerando os estudos do tipo ensaio clínico publicados nas últimas décadas, as evidências sugerem consistentemente de que, no geral, as dietas low-carb são superiores às dietas convencionais para perda de peso.

Esse fato, no entanto, só é totalmente claro quando a totalidade dos estudos é considerada em conjunto, como em revisões sistemáticas e meta-análises. Se olharmos para cada estudo isoladamente, porém, é possível encontrar dezenas de trabalhos em que as dietas convencionais, que normalmente são low-fat, são tão eficazes quanto dietas low-carb quando o assunto é emagrecimento*.

Então fica a pergunta: se as dietas low-carb são realmente superiores, por que elas não levam clara vantagem em todos os estudos?

A resposta, apesar de praticamente nunca receber a devida importância, parece ser bem simples: o grau de resistência à insulina que uma pessoa apresenta.


O que é a resistência à insulina?

A insulina, entre suas diversas funcionalidades, tem o papel de facilitar a entrada de glicose  e de alguns outros nutrientes, mas principalmente de glicose  nas mais diversas células do corpo. Para fazer isso, esse hormônio se liga ao receptor de insulina, localizado na superfície das células, e desencadeia uma série de processos intracelulares que levam à incorporação de transportadores de glicose (GLUTs) na membrana celular. O mais importante desses transportadores, no caso da ação da insulina, é o GLUT4.

A figura abaixo representa o mecanismo de translocação do GLUT4 até a membrana celular a partir da ação da insulina. No canto superior esquerdo, vemos a insulina, representada pelas bolinhas, se ligando ao seu receptor. Após a ativação de vias bioquímicas que envolvem enzimas como IRS, PI3K e AKT, as vesículas de armazenamento de GLUT4 (GSV) são deslocadas até a membrana celular para que as proteínas GLUT4 possam ser acopladas. No fim, com a maior concentração de transportadores, a glicose pode entrar com mais facilidade nas células.



Devido a alguns desarranjos metabólicos, as células do corpo podem entrar em um estado que chamamos de resistência à insulina. Como o nome sugere, esse é um quadro em que as células resistem à ação da insulina; os receptores de insulina, mesmo com a ligação do hormônio, não desencadeiam o processo intracelular de sinalização para a translocação de GLUT4 até a membrana celular. Ao não acontecer uma resposta adequada à insulina, o deslocamento das proteínas GLUT4 e a captação de glicose ficam reduzidos. Esse processo é mais evidente nos tecidos muscular e adiposo.

Porém, a resistência à insulina pode ocorrer também em outros tecidos e órgãos, como o fígado. Apesar de pouco discutido, o processo de resistência à insulina no fígado é tão importante quanto em outros tecidos (ou até mais importante). Nesse órgão, a baixa responsividade das células à insulina dificulta a ação desse hormônio em inibir o processo da gliconeogênese, que é a produção de glicose a partir de outros substratos, como aminoácidos e glicerol.

Nos estágios iniciais, a maior presença de glicose circulante leva a uma resposta compensatória na secreção de insulina pelo pâncreas, impedindo que a hiperglicemia perdure. E isso funciona, pelo menos provisoriamente: a maior liberação de insulina é, num primeiro momento, suficiente para manter a capacidade das células de captar glicose sanguínea e de inibir, mesmo que tardiamente, a via metabólica da gliconeogênese (e, consequentemente, a produção endógena de glicose). Porém, com o passar do tempo, a resistência à insulina se torna tão pronunciada que nem mesmo a maior liberação de insulina é suficiente para conter a hiperglicemia.


Essa imagem contém um erro, porque mostra a glicose sendo captada pelo próprio receptor de insulina, em vez de estar sendo transportada pelo GLUT4. Mesmo assim, ela ilustra bem a menor captação de glicose que acontece na resistência à insulina.


É nesse momento, de baixa resposta das células à insulina, que o paciente apresenta valores alterados de glicose sanguínea ao realizar um exame de sangue, podendo ser diagnosticado com pré-diabetes (glicemia entre 100 e 125 mg/dL) ou com diabetes tipo 2 (glicemia igual ou superior a 126 mg/dL).




Vale ressaltar que a resistência à insulina, além de ser o ponto inicial do desenvolvimento do diabetes tipo 2, é também a base da síndrome metabólica.

A síndrome metabólica, por sua vez, é caracterizada pela presença de três ou mais dos seguintes fatores: HDLc reduzido; triglicerídeos elevados; glicemia de jejum alterada; obesidade abdominal; pressão arterial elevada. É praticamente impossível encontrar uma pessoa com síndrome metabólica que não possua também resistência à insulina, uma vez que a própria resistência à insulina está diretamente ligada a todos os critérios diagnósticos da síndrome metabólica  e um deles, a glicemia de jejum, é um resultado direto da não responsividade das células a esse hormônio.

Não falaremos hoje sobre as possíveis causas da resistência à insulina, até porque ninguém sabe exatamente como o processo realmente ocorre. A incerteza sobre essas causas ainda é tão grande porque os estudos que são publicados sobre o assunto parecem querer fazer com que a resistência à insulina pareça um fenômeno muito mais complicado do que ele provavelmente é. São dezenas e dezenas de mecanismos propostos que buscam explicar o quadro; toda hora surge um novo, mas nenhum parece realmente ser capaz de elucidar como ocorre o surgimento da resistência à insulina.

Eu, particularmente, tenho minha própria hipótese, que na verdade é relativamente simples. Porém, vamos deixar esse assunto para outro momento, até porque o foco desse texto é a importância da resistência à insulina  independentemente de como ela surge  na eficácia de dietas restritas (ou não) em carboidratos.


Quando uma dieta low-carb é realmente eficaz?

A resposta, no geral, é simples: quando os participantes apresentam resistência à insulina. Os resultados são tão consistentes que chega a ser impressionante como essa questão nunca é mencionada na discussão sobre a efetividade de dietas low-carb, low-fat e afins.

Então vamos aos estudos.

***

Ainda em 2002, Torbay e colaboradores compararam uma dieta low-carb a uma dieta convencional. As duas dietas apresentavam 30% das calorias na forma de gorduras, variando apenas no consumo dos dois outros macronutrientes: 58% carboidratos e 12% proteínas para o grupo controle, 25% carboidratos e 45% proteínas para o grupo low-carb. O melhor de tudo: os pesquisadores forneceram todos os alimentos a serem consumidos, providenciando dietas individualmente calculadas que continham calorias equivalentes a 80% do gasto energético de repouso de cada participante.

Após as quatro semanas de intervenção, foram esses os resultados:




Entre os indivíduos sem resistência à insulina, a perda de peso e de gordura corporal foi a mesma, independentemente da dieta. Para os participantes com resistência à insulina (hiperinsulinêmicos), porém, a perda de peso foi maior com a dieta low-carb rica em proteínas (HP), assim como a perda de gordura corporal também apresentou uma tendência de ser superior com esse padrão alimentar.

Sem contar a impressionante queda nos níveis de triglicerídeos dos pacientes hiperinsulinêmicos que consumiram a dieta low-carb: redução média de 110 mg/dL. (O objetivo principal do texto não é falar de outros parâmetros metabólicos, mas essa redução, em apenas quatro semanas, foi tão grande que merece ser destacada). Apesar de não ter sido estatisticamente diferente dos outros grupos, foi um resultado muito superior quando consideramos sua relevância clínica. E isso faz todo sentido, tendo em vista que os triglicerídeos são o marcador mais sensível da disfunção metabólica que é característica dos quadros de resistência à insulina; por isso, ele normalmente é o parâmetro que responde mais rapidamente e de maneira mais expressiva.

***

Alguns anos depois, Pittas e colaboradores utilizaram dietas similares e basicamente o mesmo desenho experimental em mais um controlled feeding trial. Homens e mulheres com sobrepeso, dos quais alguns apresentavam resistência à insulina e outros não, foram divididos em dois grupos: 1) controle, com 60% carboidratos, 20% proteínas e 20% gorduras; 2) low-carb (baixa carga glicêmica), com 40% carboidratos, 30% proteínas e 30% gorduras.

O estudo teve duração de 24 semanas, o que é muito bom para entendermos como essas dietas se comportam no médio prazo. Os resultados podem ser vistos no gráfico abaixo:




Infelizmente os autores não mediram gordura corporal, mas pode ser muito bem observado que a perda de peso, para os indivíduos com resistência à insulina (“High INS-30”), foi consideravelmente maior com a dieta low-carb (LG) em comparação à dieta controle (HG). Por outro lado, para os indivíduos com a sensibilidade à insulina normal, a perda de peso foi estatisticamente igual para as duas dietas  embora tenha sido um pouco maior para a dieta controle, em números absolutos.

***

Mais ou menos na mesma época, Cornier e colaboradores publicaram o estudo com título mais enfático desses que estamos discutindo; em tradução livre: “A sensibilidade à insulina determina a efetividade da composição de macronutrientes na perda de peso de mulheres com obesidade".

Foram recrutadas 44 mulheres que apresentava obesidade, sedo que, mais uma vez, parte delas apresentava resistência à insulina. Assim como nos trabalhos citados acima, as participantes foram divididas em dois grupos: 1) controle, com 60% carboidratos e 20% gorduras; 2) low-carb, com 40% carboidratos e 40% gorduras. As duas dietas, além de apresentarem restrição energética de 400 kcal/dia, foram equiparadas em 20% das calorias na forma de proteínas. Novamente, todos os alimentos foram providenciados às participantes desse estudo.

Depois de 16 semanas de acompanhamento:




Nota-se que a perda de peso, para as mulheres com resistência à insulina (IR), foi evidentemente maior com a dieta low-carb (LC/HF). Porém, diferentemente do observado nos estudos anteriores, as participantes sem alterações na sensibilidade à insulina (IS) tiveram melhores resultados com a dieta rica em carboidratos (HC/LF).

***

Nesse ano de 2016, foi publicado um novo estudo por Christopher Gardner e colaboradores, um dos principais grupos de pesquisa de intervenções nutricionais atualmente. O trabalho causou um pouco de incômodo (talvez por esse motivo) nas comunidades low-carb que habitam as redes sociais, porque, ao contrário dos estudos citados acima, não foi demonstrada uma vantagem para a dieta low-carb na perda de peso.

Nesse estudo, os pesquisadores fizeram basicamente a mesma coisa dos demais trabalhos: recrutaram 61 indivíduos com sobrepeso ou obesidade e dividiram essas pessoas em um grupo low-carb e um grupo low-fat. Ambas as dietas foram bem restritivas: no grupo low-carb a ingestão inicial foi de apenas 20 g/dia de carboidratos, e no grupo low-fat de apenas 20 g/dia de gorduras. Com o tempo, os participantes podiam aumentar gradualmente essas quantidades.

O mais legal desse estudo é que ele deu um foco muito grande na qualidade da alimentação, para ambos os grupos. Conceitos como “comida de verdade”, “minimamente processado”, “da estação” e “orgânico” foram ensinados e reforçados ao longo da intervenção, para que todos os participantes pudessem fazer com que suas dietas fossem além da simples composição de macronutrientes. Além disso, eles foram orientados a fazerem as próprias escolhas alimentares, a prepararem os próprios alimentos em casa e a lerem rótulos nutricionais.

Apesar de ter sido o estudo com dietas mais “extremas”, os resultados sugerem que não houve diferença significativa entre os grupos, nem em relação às dietas e nem em relação ao grau de resistência à insulina dos participantes:




O que podemos dizer, forçando um pouco a barra, é que houve uma tendência da dieta low-carb ter sido um pouco mais eficaz para as pessoas com resistência à insulina. Porém, mesmo assim, a tendência de mais destaque seria da dieta low-fat, com maior quantidade de carboidratos, levar uma possível redução de peso mais significativa nos indivíduos que não apresentavam resistência à insulina  o que estaria de acordo com o que foi observado no estudo de Cornier et al. (2005), logo acima.

Foi justamente esse último resultado que causou um nó na cabeça de muitas pessoas defensoras das dietas low-carb. Afinal, como conciliar o fato de uma dieta low-fat, rica em carboidratos, talvez levar a uma maior perda de peso nesses indivíduos? O resultado não foi estatisticamente significativo, mas só de haver a possibilidade de tendência...

De qualquer maneira, acredito ser interessante tentarmos entender por que esse estudo de Gardner et al. (2016), ao contrário do que aconteceu com os outros estudos mencionados, não mostrou uma maior eficácia das dietas low-carb para os indivíduos com resistência à insulina (ou uma efetividade realmente evidente da dieta low-fat para as pessoas com sensibilidade normal à insulina). Acredito que são pelo menos dois possíveis motivos:

1) Se a qualidade nutricional for um fator tão importante como normalmente afirmamos (e provavelmente é), é possível que ênfase a esse fator, durante a intervenção, tenha minimizado os possíveis efeitos mais pronunciados que a dieta low-carb poderia proporcionar às pessoas com resistência à insulina, assim como uma possível vantagem da dieta low-fat nas pessoas com sensibilidade à insulina normal.

2) Além disso, o grau de resistência à insulina dos participantes dessa pesquisa não foi tão elevado quanto dos outros estudos citados acima. E isso pode ser crucial, porque, na prática, os participantes classificados como “resistentes à insulina” não eram tão diferentes, metabolicamente falando, daqueles que foram classificados como “sensíveis à insulina”. Assim, a chance de essas dietas modularem positivamente a perda de peso, de acordo com o grau de resistência à insulina, teoricamente é bem menor.

***

O estudo mais recente foi publicado agora no fim desse ano de 2016 por Rock e colaboradores. Foi o segundo trabalho mais prolongado (o mais prolongado está descrito mais abaixo), com duração de 12 meses. Nele, os participantes foram divididos em três grupos: 1) low-fat, com 20% de gorduras e 65% carboidratos; 2) low-carb, com 35% gorduras e 45% carboidratos; 3) low-carb + nozes, igual ao grupo low-carb, mas com uma porção de nozes.

Considerando apenas os dois primeiros grupos, que são o verdadeiro foco da nossa discussão, foi verificado que, para os indivíduos com resistência à insulina, a perda de peso foi exatamente a mesma com as duas dietas. A não superioridade da dieta low-carb nesse caso pode ter sido decorrente do fato de que essa dieta não foi low-carb "de verdade"; alguns órgãos, como o IOM (responsável pelas DRIs), consideram 45% das calorias na forma de carboidratos como o limite inferior das quantidades "ideais" a serem consumidos. Além disso, para ser justo com os autores do estudo, é preciso mencionar que eles não usaram o termo "low-carb" para essa dieta, e sim o termo "lower-carb". Ou seja, foi uma dieta "mais baixa em carboidratos", e não necessariamente "restrita em carboidratos".




Apesar disso, o resultado mais interessante nem foi esse. De forma semelhante ao observado no estudo de Cornier et al. (2005), os participantes que apresentavam sensibilidade normal à insulina perderam mais peso com a dieta rica carboidratos  redução de 7,5 kg na dieta low-fat contra 4,3 kg na dieta low-carb.

***

Só para reforçar: esses não são os únicos estudos a demonstrarem que uma dieta low-carb tende a ser mais eficaz especificamente para pessoas com resistência à insulina.

Assim como detalhado no último texto, sobre a possível vantagem metabólica das dietas low-carb, o estudo de Gower & Goss, publicado em 2015, evidencia ainda mais o benefício da restrição de carboidratos em estados de resistência à insulina.

Nessa pesquisa, participantes com sobrepeso e obesidade apresentaram uma perda maior de gordura intra-abdominal (na fase de manutenção de peso) e também maior perda de gordura corporal (no período hipocalórico) com a dieta low-carb do estudo:




Além disso, um resultado que omiti no texto anterior foi o efeito das dietas sobre o emagrecimento dos diferentes grupos étnicos que participaram do estudo. Os norte-americanos de descendência africana (AA), em comparação aos de descendência europeia (EA), apresentavam um grau de resistência à insulina (AIR) consideravelmente maior:




Para os indivíduos de descendência europeia (EA), a perda de gordura corporal foi basicamente a mesma com a dieta low-carb ou com a dieta low-fat. Porém, para as pessoas com descendência africana (AA), o emagrecimento foi o dobro com a dieta low-carb:



***

Bem antes, mais precisamente em 2007, no estudo mais prolongado que temos a explorar essa hipótese da influência da resistência à insulina sobre a perda de peso, Ebbeling e colaboradores demonstraram mais uma vez que, para as pessoas com sensibilidade à insulina preservada, não fez diferença consumir uma dieta com mais (55% das calorias) ou menos (40% das calorias) carboidratos:




Porém, como tem sido demonstrado consistentemente de estudo para estudo, eles também verificaram que os participantes com resistência à insulina apresentam maior perda de peso ao seguirem uma dieta low-carb:




Em ensaios clínicos randomizados controlados, resultados muito semelhantes para perda de peso e gordura corporal já foram encontrados também nos estudos de Kreider et al. (2011) e Le et al. (2016). Além disso, em um estudo de intervenção sem grupo controle, Dashiti et al. (2007) também demonstraram que a perda de peso é favorecida em pessoas com resistência à insulina que seguem uma dieta low-carb, quando comparada a pessoas com sensibilidade normal à insulina.

Contudo, em todos esses estudos, mesmo naqueles em que os pesquisadores forneceram todos os alimentos a serem consumidos, os participantes com sensibilidade normal à insulina não foram em nenhum momento mais favorecidos pelas dietas low-carb do que pelas dietas que continham maior quantidade de carboidratos.


Considerações finais

Para começar a fechar esse assunto, a primeira coisa que deve ser mencionada é que a possível vantagem metabólica das dietas low-carb, caso realmente exista, talvez seja evidente apenas para indivíduos que apresentam resistência à insulina. Prestando um pouco mais de atenção ao meu último texto sobre o tema, é possível notar que, entre os estudos sem grandes limitações técnicas, aqueles que tiveram participantes com quadro manifesto de resistência à insulina – Baba et al. (1999), Layman et al. (2003) e Gower & Goss (2015)  foram justamente os que apresentaram evidências mais claras da possibilidade de vantagem metabólica para as dietas low-carb no emagrecimento.

Fora isso, olhando para as evidências discutidas no presente texto, tudo indica que a presença ou não de resistência à insulina é um fator muito importante  senão o mais importante  para entendermos o impacto de diferentes dietas, com composições nutricionais distintas, sobre o emagrecimento.

Isso ajuda a explicar, também, porque não existe uma uniformidade tão grande quanto poderia haver para as dietas low-carb no emagrecimento, ou seja, nos faz entender por que diferentes estudos mostram resultados um pouco conflitantes quando comparam dietas com composições nutricionais distintas. Enquanto diversos trabalhos individualmente mostram maior perda de peso para as dietas low-carb, vários outros mostram efeitos exatamente iguais aos de dietas com maior quantidade de carboidratos. Em todos esses estudos, é muito grande a chance de o grau de resistência à insulina dos participantes ser um fator imprescindível para a maior eficácia ou não da restrição de carboidratos. Os estudos com resultados mais positivos para as dietas low-carb provavelmente tiveram indivíduos com resistência à insulina, síndrome do ovário policístico, síndrome metabólica ou diabetes tipo 2; resultados iguais ou até inferiores ao das dietas convencionais, por outro lado, muito possivelmente foram de trabalhos com participantes que apresentavam sensibilidade normal (ou quase normal) à insulina.

É claro que esse fator da resistência à insulina, sozinho, nem sempre será necessário, ou suficiente, para determinar uma maior ou menor perda de peso. Por exemplo, um estudo com dieta low-carb pode levar a um maior emagrecimento, mesmo em pacientes com sensibilidade normal à insulina, desde que essa intervenção nutricional induza uma menor sensação de fome ou uma maior sensação de saciedade, consequentemente levando a uma menor ingestão energética. Considerando que esses exemplos são efeitos relativamente comuns das dietas low-carb, é certeza que podemos encontrar diversos trabalhos científicos em que as vantagens das dietas low-carb foram decorrentes da menor ingestão calórica induzida pela redução da fome ou pelo aumento da saciedade.

De qualquer maneira, mesmo com o consumo de calorias exatamente igual, como evidenciado pelos estudos de Torbay et al. (2002), Pittas et al. (2006) e Gower & Goss (2015) mencionados nesse texto, as dietas low-carb, sejam com uma restrição grande ou modesta de carboidratos, se mostraram mais eficazes para a perda de peso  e em participantes com diversos perfis: homens, mulheres, sobrepeso, obesidade, síndrome do ovário policístico. Repetindo: a vantagem metabólica discutida anteriormente é bem mais clara quando consideramos indivíduos com o quadro de resistência à insulina.

É por isso, inclusive, que grande parte dos estudos de intervenção que comparam dietas com composições nutricionais diferentes também tendem a mostrar uma maior perda de peso quando os participantes consomem dietas low-carb: os participantes desses estudos invariavelmente apresentam sobrepeso ou obesidade, que normalmente estão acompanhados do quadro de resistência à insulina.

Além disso, considerando que uma parcela muito grande das pessoas no mundo, inclusive mais da metade da população brasileira, apresenta excesso de peso, e que o acúmulo de gordura corporal (principalmente abdominal) está diretamente relacionado ao desenvolvimento da resistência à insulina, temos mais um grande motivo para colocarmos as dietas low-carb como uma das primeiras estratégias quando o assunto é emagrecimento e disfunções metabólicas. Não só por influenciar positivamente a fome e a saciedade, as dietas low-carb parecem realmente possuir um efeito direto no emagrecimento, principalmente para aquelas pessoas que mais podem se beneficiar: com maior excesso de peso e maior risco cardiometabólico.

Não há dúvidas que as dietas low-carb são eficazes, e tudo indica que são ainda mais benéficas para pessoas com resistência à insulina. Porém, gostaria de lançar a seguinte questão: será que as pessoas sem resistência à insulina deveriam utilizar uma dieta low-carb como abordagem inicial quando o objetivo é o emagrecimento? Pergunto isso porque, apesar de as dietas low-carb serem melhores para indivíduos com resistência à insulina, não há evidências suficientes para afirmar o mesmo para as pessoas sem esse quadro. Não só isso, os estudos de Pittas et al. (2006), Gardner et al. (2016) e, principalmente, Cornier et al. (2005) e Rock et al. (2016) sugerem que, para indivíduos que não possuem elevado grau de resistência à insulina, é possível que dietas com maior quantidade de carboidratos sejam mais eficazes para o emagrecimento.

No nível coletivo, podemos afirmar com segurança que, dadas as evidências consistentes que temos, as dietas low-carb normalmente vão ser mais vantajosas, principalmente considerando a elevada prevalência do quadro de resistência à insulina no mundo. No nível individual, porém, vale sempre lembrar: as particularidades de cada caso devem sempre ser respeitadas. Podemos usar a ciência para nos ajudar a definir as melhores estratégias, mas sempre levando em consideração o que se aplica melhor a cada pessoa.


***
*Perda de peso e emagrecimento, apesar de não serem sinônimos, foram usados como termos equivalente nesse texto (exceto no detalhamento dos estudos científicos). Afinal, o objetivo das pessoas em geral, quando dizem que querem perder peso, é a redução na gordura corporal (emagrecimento).



25 comentários:

  1. Obrigado pelo texto, é um bom contrapeso nesse assunto. Em tempo, qual é a sua hipótese relativamente simples? É a segunda vez que o vejo citá-la, fiquei curioso =)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Lucas. Obrigado pela leitura!

      Vou dar uma dica, mas não a resposta, porque nem eu mesmo ainda tenho tanta certeza sobre a minha hipótese (porque ela talvez ainda precise ser ajustada diante de algumas evidências científicas que talvez possam contradizê-la).

      A hipótese é mais ou menos assim. Uma das principais causas do acúmulo de gordura corporal é a combinação entre resistência à insulina, elevada ingestão de carboidratos e, também, excesso de calorias. Nesse cenário, o alto consumo de carboidratos, por si só, não é suficiente para gerar o ganho de peso na ausência de um excesso de calorias ou na ausência de resistência à insulina.

      De qualquer maneira, a grande questão é: quais são as principais causas da resistência à insulina nos dias de hoje? Respondendo a essa pergunta você consegue fechar a minha simples hipótese.

      Excluir
    2. Muito provavelmente, a quantidade exagerada de refeições diarias da população em geral...

      Excluir
    3. Penso que não, Marco. Não acho que num contexto saudável e de comida natural, muitas refeições levariam à resistência. Creio que ele se refira à frutose em quantidade não natural, aos carboidratos refinados.

      Excluir
    4. Marcos, o que o Lucas complementou acima é verdade: o "excesso" de refeições só é um problema se outras coisas estiverem "erradas"; se o resto da alimentação estiver bom, o número de refeições diárias pouco importa para a saúde metabólica.

      Lucas, o ponto da frutose é interessante, e realmente contribui para a resistência à insulina quando existe um excesso de calorias. É sim um fator a ser considerado.

      Excluir
  2. Como uma pessoa deixa de ter resistência à insulina? Basta emagrecer?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Sim, resumidamente, essa é a forma mais simples e eficaz. Porque o acúmulo de gordura corporal, seja subcutânea ou em outros tecidos, é um dos principais fatores que levam o corpo a deflagrar o sinal de resistência à insulina.

      Excluir
  3. Joao, no caso então como fazer a dieta para não engordar mais ainda na gravidez, pq pesava 57 antes de engravidar e ainda estou de 4 meses e já estou com 67,500 não como muito e não sei oq fazer para emagrecer ou não engordar. Já ate chorei de desespero

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Welya.

      Por mais que essa informação não seja do conhecimento de todos, muitas mulheres desenvolvem certo grau de resistência à insulina durante a gravidez. A resistência à insulina se torna tão elevada em alguns casos que algumas mulheres são diagnosticadas com diabetes gestacional.

      Ou seja, é importante ter em mente que você pode estar entre essas mulheres que são acometidas por um maior grau de resistência à insulina. Além disso, o seu ganho de peso nesses 4 meses pode não apenas ser um reflexo disso, mas também um fator que pode contribuir ainda mais com o agravo da resistência à insulina.

      Por isso, é bem provável que uma dieta low-carb auxilie o seu caso. E não só em relação ao seu peso. O ganho de peso dentro do esperado (e não além do esperado) está associado com um menor risco do bebê apresentar algumas complicações, como excesso de peso no futuro.

      Excluir
  4. Ge-ni-al, joão! Degustei cada letrinha nessa sopa nutritiva!

    Vai bem na linha de David Ludwig...
    Ele usa o termo "Slow Carb" - carbo de ação lenta na pag. 89 do livro traduzido "Always Hungry?".
    Você cita o termo "Lower Carb" que também aprecio muito!
    Deixar de estar sempre faminto pode ser a melhor vantagem mesmo da Low Carb.
    A fase 3 da dieta de Ludwig é justamente para pessoas não resistentes que querem manter o peso ideal. É aí (pag. 108) que ele passa a enfatizar a secreção insulínica como fator biológico individual para resposta à maior ou menor quantia de carbos.
    Se o metabolismo permite, desfruta-se de carboidratos naturais... ou nao tanto.

    Na sua resposta ao Lucas, Ludwig "mete o bedelho" no 2º parágrafo citando chineses rurais saudáveis que consomem muito arroz e os parentes sedentários diabéticos na cidade grande com a mesma dieta.
    Será que você concorda com ele em relação à atividade física prazerosa, gestão do sono e do estresse, complementando a ingesta de comida de verdade?

    Ah, aqui em casa funciona bem a low carb para o marido ex pré-diabético, e slow carb para mim e o filho, sem resistência.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Cristina, obrigado pela leitura!

      Não li o livro do Ludwig, mas acompanho o que ele publica na literatura científica. Gosto da abordagem dele, mas não concordo com exatamente tudo que ele fala. Pelo que você falou, talvez a mensagem dele no livro seja um pouco diferente, um pouco menos "dogmática", do que nos artigos científicos, mas não posso afirmar muita coisa.

      E, sim, com certeza atividade física, sono e estresse possuem um papel muito importante em determinar se a pessoa vai ou não desenvolver resistência à insulina, e se ela vai apresentar ou não uma tendência em consumir mais calorias. Isso é verdade especialmente para o sono e para o estresse, que inclusive são duas partes fundamentais da minha hipótese sobre obesidade, resistência à insulina e doenças crônicas.

      Excluir
  5. Parabéns pelo texto, muito boa revisão literária! acredito que a qualidade dos alimentos são de grande valia na dieta. e acredito que o açúcar industrializado de quase livre acesso a nossa corrente sanguínea e abundante nas industrias alimentícias, formam uma bomba de glicose sanguínea e a unica forma do corpo nos defender é a produção de insulina, e com o tempo assim como os remédios vão perdendo o efeito pois nosso corpo vai se tornando mais resistente a tal substancia. com a produção de insulina nosso corpo armazena o glicogênio, hepático e muscular, e o que ocorre com o que o corpo não consegui armazenar como glicogênio?
    O que era pra ser utilizado como reserva energética esta servindo somente de deposito! hoje existem evidencias de que o tecido adiposo não é somente um reservatório, porém é uma de suas maior funções na população mundial!

    ResponderExcluir
  6. Estaria eu sonhando? Seria uma miragem? Seria ilusão? Não, não é nada disso... nem acredito que estou lendo um blog cheio de informações ricas e muito, muito, muito bem embasadas através de artigos científicos!!! Mas que bela pérola encontrei hoje quando fui pesquisar sobre o sal rosa do himalaia ao me deparar com esse blog!
    João, parabéns pelo trabalho e esforço em não apenas trazer conteúdo, mas embasá-lo muito bem! Isso não apenas traz credibilidade ao que você escreve, mas também traz segurança a quem lê, pois podemos verificar por nós mesmos as fontes de muitos artigos desse blog. Enfim, sei que to elogiando um monte, mas é que cansa ver tanta página de internet trazendo informações rasas e vagas, por isso fiz questão de elogiar bastante seu trabalho aqui no blog. Continue assim :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Suéli, muito obrigado pela leitura! Pode ter certeza que são os leitores que fazem desse espaço o que ele é.

      Excluir
  7. Tudo bem que a dieta Low Carb seja mais eficaz nos que já possuem alguma doença cronica,ajudando a equilibrar os níveis lipídicos, assim como a perda de peso. Já aqueles que não tem doenças cronicas poderiam se "beneficiar" de uma dieta mais convencional, logo a Low Carb não é a salvação de emagrecimento para todos. Concordo, mas uma coisa que me chama atenção é se os grupos que não tem doenças cronicas seguir uma dieta convencional,(onde se é usado muitos carboidratos altamente processados, onde é uma dieta pobre em gordura e rica em carboidratos) futuramente estes irão precisar da Low Carb, pois a ingestão das dietas convencionais ricas em carboidratos, geralmente são altamente processados, tende a inflamar o tecido adiposo e assim surgir as doenças cronicas como; Diabetes tipo 2 , resistência a insulina, síndrome metabólica... (Desculpa se eu estiver falando alguma besteira me corrija, por favor). Pelo que tenho lido em artigos , livros como: Emagreça sem fome, com o pesquisador David Ludwing, a dieta de alta qualidade como a Low Carb, tem se mostrado benéficos para a saúde,mesmo que não haja emagrecimento, mas ate como uma forma de prevenir o que hoje esta cada vez mais aumentando, que são a diabetes, entre outros, .Infelizmente focamos tanto na parte das consequências,(como esta acima do peso e querer emagrecer e nos livrar logo dela), que esquecemos das causas principais para que isso tenha acontecido (excesso de carboidratos, durante uma vida inteira, e um sistema onde o "errado é o certo" como a piramide alimentar). Obrigada pelas suas informações bastante esclarecedoras, estou sempre em busca de informações e a sua pagina tem me esclarecido muita coisa, Parabéns.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Paty.

      Você tocou em um ponto importante: a qualidade da alimentação. De fato, várias pessoas que seguem uma "dieta convencional" incluem diversos alimentos processados e refinados, e isso normalmente leva ao ganho de peso. Daí, com a resistência à insulina que acompanha esse ganho de peso, uma dieta low-carb, considerando seu efeito metabólico, acaba sendo uma melhor opção na maior parte dos casos.

      Mas acho que tem uma coisa que precisa ficar mais clara. Se as pessoas seguirem "dietas convencionais", mas com comida de verdade, esse problema de ganho de peso e desenvolvimento de doenças crônicas seria prevenido na maioria dos casos. Mesmo com dietas ricas em carboidratos e pobres em gorduras.

      O carboidrato por si só não é o problema. Infelizmente as comunidades low-carb têm difundido uma visão errada em relação aos carboidratos. A literatura científica está cheia de exemplos mostrando que dietas ricas em carboidratos, desde que compostas por comida de verdade, não levam ao desenvolvimento de doenças crônicas.

      O problema está na qualidade -- nos alimentos processados. O fato de eles possuírem uma quantidade relativamente alta de carboidrato não é o fator determinante para que o ganho de peso aconteça numa dieta que contém esses produtos.

      Excluir
  8. João, li seu blogs inteiro e te parabenizo imensamente por ser tão estudioso, paciente e, sobretudo, generoso em oferecer gratuitamente tanto conteúdo de excepcional qualidade. Seu blog está à altura dá qualidade nutricional que preconiza. Posto aqui para encorajá-lo a escrever sobre a sua hipótese relativamente simples e tudo o mais que achar ser de valia. Saiba que eu sou e serei um leitor fiel de tudo o que publicar. Obrigado por ter melhorado a saúde de tanta gente, inclusive a minha. Deus te ilumine.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá!

      Agradeço imensamente pela leitura. A minha maior motivação é ajudar, e por isso receber feedbacks como esse é sempre algo muito positivo. Em breve pretendo escrever sobre minha teoria, mas ainda preciso encaixar mais algumas peças (e espero que a ciência me ajude com isso!).

      Excluir
  9. João, é novamente o Anônimo logo acima. Gostaria de lhe sugerir um assunto que ainda me parece bastante instigante: a relativamente recente vitamina K2.
    O que você poderia nos ensinar a respeito desse nutriente tão obscuro? É mesmo tão grande a deficiência generalizada, a ponto de demandar suplementação? A dieta ocidental, por mais saudável que seja, é mesmo carente desse nutriente?
    Acho um assunto ainda pouco elucidado, inclusive no tocante à realidade brasileira e às fontes além do natto (por exemplo, quais queijos; requeijão também é boa fonte, ou não, etc.)
    Muito obrigado, de novo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Assim como a maioria dos nutrientes, as implicações da vitamina K2 sobre a saúde são inúmeras, e por isso é difícil citar todos os processos nos quais ela participa. O papel mais bem estudado dela é direcionar o cálcio circulante para os lugares certos: ossos e dentes. Isso evita que o cálcio seja depositado nos vasos sanguíneos e em outros tecidos e órgãos, como os rins (podendo levar à formação de pedras, por exemplo).

      Uma dieta saudável pode ser sim deficiente em vitamina K2, porque esse nutriente não é facilmente encontrado, em boas quantidades, em muitos alimentos. As principais fontes, considerando alimentos mais comuns, são queijos, ovos e a carne mais escura do frango.

      Quanto mais fermentado o queijo (os mais curados, ou mais "duros"), melhor. Outros laticínios não são fontes tão boas de vitamina K2, porque a concentração desse nutriente nos queijos, assim como no natto, depende das bactérias (não só da presença de bactérias, mas também dos tipos) que realizam o processo de fermentação.

      Se você tem boa leitura de inglês (o Google Tradutor também pode ajudar) recomendo a seguinte fonte, que é uma das mais completas, senão a mais completa, sobre vitamina K2:

      https://chrismasterjohnphd.com/2016/12/09/the-ultimate-vitamin-k2-resource/

      No final, tem inclusive uma base de dados com as principais fontes de vitamina K2 que podemos incluir na alimentação. Muitos dos alimentos talvez não sejam tão fáceis de encontrar no Brasil, porque a base de dados foi formulada considerando o contexto dos Estados Unidos. Mesmo assim, é possível entender melhor sobre o papel da vitamina K2 no organismo e como ter um consumo mais adequado desse nutriente.

      Excluir
  10. Olá João!!
    Primeiro quero dar os meus PARABÉNS. O site é um achado maravilhoso em meio a tanta informação que temos hoje. Principalmente pela seriedade que é dado a cada assunto. Também percebi pelo conteúdo que li que nao há aqui nenhuma TENDÊNCIA. Ou seja o João não está a defender nenhuma questao em particular, mas sim nos benefícios que podemos ter na saúde vindos de vários lados.
    Eu sou adepta do lowcarb, e acho que existe N benefícios neste tipo de alimentação, mas nao acho que seja o único caminho nem para a perda de peso nem para desfrutar de uma saúde plena (se é que isso existe). Há muitos caminhos, pelo que está guerra nao leva a lado nenhum.
    Continue a nós presentear com o seu conhecimento.
    Um abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Christiane.

      Muito obrigado pela leitura e pelo comentário! É sempre bom receber feedback como esse dos leitores.

      Excluir
  11. Será que esse não seria o caso do enorme número de platôs na dieta low carb, conforme a sensibilidade à insulina aumenta o peso para de cair na dieta low carb, acho que vou testar em mim, perdi mais de 41 quilos com low carb, nunca fui nem pré diabética, mas agora estou em um platô há 6 meses,mesmo fazendo low carb com no máximo 30 grs de carbos, já faço jejum, já fiz dia do lixo com bastante carboidratos, já tentei todas as estratégias que li, mas agora acho que tentarei essa.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Cristina.

      A maior razão para as pessoas alcançarem um platô, em qualquer dieta, é a adaptação do próprio corpo. A perda de peso contínua não é visto como fisiológica, então o organismo lança mão de alguns mecanismos para conter a perda contínua: aumento da fome, redução do gasto energético, aumento da eficiência energética etc.

      Mas é sim possível que parte dos platôs em dietas low-carb sejam explicados por um aumento na sensibilidade à insulina, causado especialmente pelo emagrecimento. Logo, uma dieta com restrição de carboidratos pode ter sua eficácia reduzida.

      Por isso, experimentar uma alimentação com mais carboidratos é a princípio uma alternativa interessante para quem chegou num platô após uma dieta low-carb.

      Excluir